16 de março de 2026

Museu Janete Costa segue com a exposição "Acolher" até o fim de março

Com curadoria e cenografia de Jorge Mendes, a mostra fica em cartaz no museu Janete Costa em Niterói até 29 de março de 2026.




Acolher é mais do que receber. É tratar com cuidado, proteger, preservar. É sustentar aquilo que nos conecta ao mundo, ao outro e a nós mesmos. Potes de cerâmica, cestarias, gamelas e caixas confeccionadas por grandes artistas populares, cooperativas e comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, sertanejas e ribeirinhas acolhem alimentos, água, memórias, saberes e histórias que atravessam gerações. Cada peça revela a marca das mãos que a moldaram e a herança de quem ensinou o ofício. No barro, na fibra e na madeira estão gravadas histórias de um Brasil profundo, em diálogo com práticas de toda a América Latina, onde povos distintos compartilham o gesto de acolher: acolher para proteger, proteger para preservar, preservar para celebrar. A arte popular latino-americana é feita desses laços invisíveis, trançados na mesma matéria, nutridos pelo saber coletivo e movidos pelo desejo de manter viva a memória de todos nós.


Jorge G. Mendes

Curador


Acolher é um gesto de humanidade. É um ato de cuidado que reconhece o outro, que o legitima e o preserva. A reunião dessas obras criadas por artistas populares, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, sertanejas e ribeirinhas, reafirma o compromisso da Fundação de Arte de Niterói em proteger e valorizar o patrimônio cultural e artístico brasileiro - especialmente aquele que nasce das mãos e dos saberes coletivos. É nesse encontro que celebramos a pluralidade da nossa arte, viva, pulsante e ancestral. O Museu Janete Costa de Arte Popular se torna, mais uma vez, um espaço de pertencimento: um lugar onde memórias são honradas, identidades são reconhecidas e o Brasil profundo encontra visibilidade e respeito. Que esta exposição inspire em cada visitante o desejo de acolher histórias, tradições, territórios e pessoas. 


Micaela Costa
Presidenta da Fundação de Arte de Niterói 

29 de outubro de 2026
A Sala José Cândido de Carvalho, localizada na sede da Fundação de Arte de Niterói, no Ingá, recebe, a partir da terça-feira, 6 de outubro, a exposição "Gelo e Água" da artista Elza Suzuki, que apresenta uma produção marcada pela investigação da natureza, da paisagem e das transformações ambientais do planeta. Com curadoria de Desirée Monjardim, a mostra será inaugurada às 18h e poderá ser visitada até 4 de dezembro. A mostra reúne trabalhos em que o gelo, a água e elementos da paisagem são transformados em matéria poética e visual, criando imagens que transitam entre o figurativo e o abstrato. A pesquisa da artista parte da observação direta da natureza e de experiências com diferentes materiais e técnicas, construindo uma reflexão delicada sobre as mudanças ambientais contemporâneas. As transformações provocadas pelo clima e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente aparecem como uma espécie de fio condutor da exposição. O derretimento das geleiras, o movimento das águas e a relação entre floresta e rios são referências para uma produção que não recorre à representação explícita ou agressiva dos conflitos ambientais. Em seu lugar, Elza Suzuki constrói um discurso silencioso, utilizando a beleza e a sutileza das imagens como forma de provocar reflexão. "Seu protesto é silencioso, puro, através de imagens belas que falam por si", observa Isis Braga, doutora em Artes Visuais e em Ciências e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em texto sobre a produção da artista. Segundo Isis, Elza se apropria do gelo e descobre nele uma outra dimensão, criando imagens monocromáticas que revelam diferentes possibilidades da matéria. A artista parte, em alguns trabalhos, do universo figurativo, como nas imagens relacionadas às viagens e experiências na Amazônia, e desenvolve processos nos quais o gelo é desfeito e transformado até alcançar resultados abstratos. "Meu processo parte muitas vezes da experiência direta com a paisagem, de registros, desenhos, fotografias e observações de campo", explica Elza Suzuki. A artista Formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, Elza Suzuki atuou por mais de 30 anos nas áreas de design gráfico, editorial e comunicação, desenvolvendo projetos para diferentes instituições e empresas. A partir de 2020, a pintura passou a ocupar um espaço cada vez mais central em sua prática. Desde então, a artista vem aprofundando sua pesquisa por meio da participação em exposições, residências e editais, construindo uma produção que reúne diferentes experiências e linguagens. Sua trajetória profissional também contribui para a construção de um olhar atento à imagem, à composição e aos processos de comunicação. Na pintura, essa experiência encontra novas possibilidades de expressão, especialmente na relação entre matéria, paisagem e natureza. Uma reflexão silenciosa sobre o meio ambiente Ao reunir trabalhos figurativos e abstratos, a exposição propõe ao visitante diferentes formas de perceber a natureza. O gelo, inicialmente reconhecível como elemento da paisagem, torna-se matéria de experimentação e, posteriormente, pode assumir formas que se afastam da representação direta. Nesse percurso, a obra de Elza Suzuki estabelece uma reflexão sobre um planeta em transformação. A beleza das imagens não elimina a dimensão crítica da pesquisa; ao contrário, cria uma maneira sutil de chamar atenção para as mudanças que atingem as paisagens, os rios, as florestas e as geleiras. A exposição apresenta, assim, uma artista que encontra na própria matéria da pintura uma forma de falar sobre o presente. Seu trabalho transforma o gelo, a água e a paisagem em elementos de uma narrativa visual que convida o público a observar, contemplar e refletir. Serviço Exposição "Gelo e Água" de Elza Suzuki Curadoria: Desirée Monjardim Abertura: Terça-feira, 6 de outubro de 2026 Horário: 18h Visitação: até 4 de dezembro (Segunda a sexta, de 08 às 17h Entrada gratuita Local: Sala José Cândido de Carvalho – Sede da FAN Endereço: Rua Presidente Pedreira, 98 – Ingá, Niterói
29 de outubro de 2026
A Sala Nelson Pereira dos Santos, no sábado, 31 de outubro, às 20h, o espetáculo "Menina Mojubá", que retrata a história de uma criança brasileira que cresceu nas ruas e carregava consigo uma força ancestral. Após seu trágico falecimento, ela se torna uma pombagira, tornando-se uma figura poderosa no mundo espiritual, capaz de proteger e livrar todos que tenham trajetórias semelhantes a sua. Apesar da redenção que a espiritualidade à ofereceu dentro dessa dramaturgia, "Menina Mojubá" nos chama atenção para uma realidade diferente fora dos palcos: Pessoas que cultuam a mesma fé de Menina, principalmente as negras, enfrentam ataques físicos e morais, além do apagamento e silenciamento da sua crença. Como forma de contribuir com a luta anti racismo religioso, a peça promove uma discussão sobre o culto afro-brasileiro através da perspectiva de quem de vive a religião, ampliando dois pontos importantes dentro desta narrativa: protagonismo de artistas negros e de axé dentro da classe artistica e a representação e identificação de um povo marginalizado dentro da sociedade. "Menina Mojubá" se torna mais que um espetáculo teatral, é a união da arte e da fé em busca de memórias de respeito e honra, levando ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá. Serviço Menina Mojubá Data: Sábado, 31 de outubro de 2026 Horário: 20h Duração: 60 min Classificação indicativa: 10 anos Ingresso: R$ 40,00 (inteira) / Promocional 1 lote a R$15,00 (primeiras 70 pessoas) Sala Nelson Pereira dos Santos Av. Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói