Exposição de Elza Suzuki em Niterói aborda as transformações da natureza
A Sala José Cândido de Carvalho, localizada na sede da Fundação de Arte de Niterói, no Ingá, recebe, a partir da terça-feira, 6 de outubro, a exposição "Gelo e Água" da artista Elza Suzuki, que apresenta uma produção marcada pela investigação da natureza, da paisagem e das transformações ambientais do planeta. Com curadoria de Desirée Monjardim, a mostra será inaugurada às 18h e poderá ser visitada até 4 de dezembro.
A mostra reúne trabalhos em que o gelo, a água e elementos da paisagem são transformados em matéria poética e visual, criando imagens que transitam entre o figurativo e o abstrato. A pesquisa da artista parte da observação direta da natureza e de experiências com diferentes materiais e técnicas, construindo uma reflexão delicada sobre as mudanças ambientais contemporâneas.
As transformações provocadas pelo clima e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente aparecem como uma espécie de fio condutor da exposição. O derretimento das geleiras, o movimento das águas e a relação entre floresta e rios são referências para uma produção que não recorre à representação explícita ou agressiva dos conflitos ambientais. Em seu lugar, Elza Suzuki constrói um discurso silencioso, utilizando a beleza e a sutileza das imagens como forma de provocar reflexão.
"Seu protesto é silencioso, puro, através de imagens belas que falam por si", observa Isis Braga, doutora em Artes Visuais e em Ciências e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em texto sobre a produção da artista.
Segundo Isis, Elza se apropria do gelo e descobre nele uma outra dimensão, criando imagens monocromáticas que revelam diferentes possibilidades da matéria. A artista parte, em alguns trabalhos, do universo figurativo, como nas imagens relacionadas às viagens e experiências na Amazônia, e desenvolve processos nos quais o gelo é desfeito e transformado até alcançar resultados abstratos.
"Meu processo parte muitas vezes da experiência direta com a paisagem, de registros, desenhos, fotografias e observações de campo", explica Elza Suzuki.
A artista
Formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, Elza Suzuki atuou por mais de 30 anos nas áreas de design gráfico, editorial e comunicação, desenvolvendo projetos para diferentes instituições e empresas.
A partir de 2020, a pintura passou a ocupar um espaço cada vez mais central em sua prática. Desde então, a artista vem aprofundando sua pesquisa por meio da participação em exposições, residências e editais, construindo uma produção que reúne diferentes experiências e linguagens.
Sua trajetória profissional também contribui para a construção de um olhar atento à imagem, à composição e aos processos de comunicação. Na pintura, essa experiência encontra novas possibilidades de expressão, especialmente na relação entre matéria, paisagem e natureza.
Uma reflexão silenciosa sobre o meio ambiente
Ao reunir trabalhos figurativos e abstratos, a exposição propõe ao visitante diferentes formas de perceber a natureza. O gelo, inicialmente reconhecível como elemento da paisagem, torna-se matéria de experimentação e, posteriormente, pode assumir formas que se afastam da representação direta.
Nesse percurso, a obra de Elza Suzuki estabelece uma reflexão sobre um planeta em transformação. A beleza das imagens não elimina a dimensão crítica da pesquisa; ao contrário, cria uma maneira sutil de chamar atenção para as mudanças que atingem as paisagens, os rios, as florestas e as geleiras.
A exposição apresenta, assim, uma artista que encontra na própria matéria da pintura uma forma de falar sobre o presente. Seu trabalho transforma o gelo, a água e a paisagem em elementos de uma narrativa visual que convida o público a observar, contemplar e refletir.
Serviço
Exposição "Gelo e Água" de Elza Suzuki
Curadoria: Desirée Monjardim
Abertura: Terça-feira, 6 de outubro de 2026
Horário: 18h
Visitação: até 4 de dezembro (Segunda a sexta, de 08 às 17h
Entrada gratuita
Local: Sala José Cândido de Carvalho – Sede da FAN
Endereço: Rua Presidente Pedreira, 98 – Ingá, Niterói



