
A Constituição Federal, dentre os direitos fundamentais e suas garantias sociais traz, além de muitos outros, o Direito à Cultura e ao Lazer. No Brasil, o Direito à Cultura é previsto na Carta Magna como um direito fundamental do cidadão. Segundo ela, cabe ao Poder Público possibilitar efetivamente a todos a fruição dos direitos culturais, mediante a adoção de políticas públicas que promovam o acesso aos bens culturais, a proteção ao patrimônio cultural, o reconhecimento e proteção dos direitos de propriedade intelectual bem como o de livre expressão e criação. O direito à cultura é uma eficácia da garantia social ao lazer, uma vez que impõe como competência da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, a proteção aos bens de valor histórico e artístico e a promoção ao meio de acesso à cultura, educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação, não perdendo de vista o esporte, como um meio de lazer. Muito embora o lazer e a cultura, na prática, tenham se mostrado direitos relegados ao segundo plano em relação aos demais direitos fundamentais e sociais, eles tangenciam diversas áreas das garantias sociais e individuais, a exemplo do direito à educação, trabalho, segurança, proteção à infância, direitos autorais e artísticos. E portanto, a garantia social ao lazer é abarcada no próprio Direito à Cultura. O Direito da Cultura e Entretenimento pode ser traduzido então como um direito fundamental, como uma garantia social, onde é aplicado às atividades culturais e desportivas, com o objetivo de proporcionar segurança jurídica e garantir o respeito às leis no desenvolvimento das artes e dos esportes, bem como promover seu acesso à sociedade. Não há dúvidas que a Lei de Incentivo a Cultura (Lei Rouanet) e a Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/93) possibilitaram a amplitude das políticas públicas relacionadas à cultura, lazer e esporte, a exemplo do PRONAC - Programa Nacional de Apoio à Cultura. As leis surgiram com o escopo de incentivar o investimento em cultura em troca, a princípio, de incentivos fiscais, pois com o benefício no recolhimento do imposto a iniciativa privada se sentiria estimulada a patrocinar eventos culturais, uma vez que o patrocínio além de fomentar a cultura, valoriza a marca das empresas junto ao público. Com a Lei Rouanet surgiram três formas possíveis de incentivo no país: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) e o Incentivo a Projetos Culturais por meio de renúncia fiscal (Mecenato). Ocorre contudo, que com o tempo a lei foi ficando defasada, além de ter sido totalmente mitigada com a implementação de Medidas Provisórias e destinação de recursos divergentes daqueles do mercado artístico, cultural e desportivo. O surgimento da internet, equilíbrio na inflação, mudança do contexto artístico, cultural, político e econômico do Brasil para o mundo, fez como que o Ministério da Cultura, incentivasse uma mudança, surgindo então o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura (Projeto de Lei nº 6722/2010), que veio a alterar a Lei Rouanet. O apoio do Ministério da Cultura aos projetos culturais por meio da Lei Federal e também por editais para projetos específicos, lançados periodicamente, valoriza a diversidade e o acesso à cultura, como um direito de todos dentro da democracia e ampliando a liberdade de expressão. Hoje a cultura tornou-se uma economia estratégica no mundo, que depende não só do investimento público como do privado. O acesso à cultura e ao lazer está diretamente ligado a um novo ciclo de desenvolvimento do país: a universalização do acesso, diversidade cultural, desenvolvimento da economia e cultura. Não se perca de vista a realização da Copa e das Olimpíadas, por exemplo, que levam as empresas a injetarem um maior investimento nos atletas, assim como nos eventos culturais nas localidades onde são realizados. Em meio a esse turbilhão de direitos e garantias fundamentais, mesmo com o esforço do Governo nas diversas tentativas de implementação de políticas públicas, válido destacar que, embora levado a segundo plano, o Direito da Cultura e Entretenimento em verdade está saindo nesta zona de “sub-direito”, para se lançar como uma potencial garantia jurídica. Afora as políticas públicas e ações do governo, que podem ser exigidas a partir de uma Ação Popular, ou em um litígio casuístico, as ações de empresários como realização de eventos por produtores culturais no Brasil, também são alvos de lide, demandas judiciais tanto públicas como privadas. Festivais de artes, espetáculos, shows e festas, estão sujeitos a uma série de controles e restrições, o que ocasiona grande impacto urbanístico e ambiental, e por envolverem interesses de uma grande gama de categorias especiais, como, por exemplo, crianças, adolescentes, consumidores, estudantes, entre outras, exigem um amplo conhecimento nas diversas áreas jurídicas, além de abrangerem um grande número de leis esparsas das mais diversas naturezas; algumas locais, outras estaduais e nacionais, que têm que ser conhecidas por todos aqueles que se propõem e se dedicam à realização de eventos no país. Pode-se concluir que o Direito da Cultura e Entretenimento não só tem espaço no mundo jurídico como reina em diversas áreas que burocratizam e disciplinam a arte, cultura, lazer, o esporte, educação e quantos ramos forem necessários para se garantir a efetividade do exercício da garantia constitucional, seja a um cidadão comum, como ao empresário. Por Suzana Fortuna

Chapeuzinho Vermelho e a floresta encantada é um sucesso da Cia. Ação Contínua que está voltando para o Teatro dos Grandes Atores para apenas duas apresentações na Barra da Tijuca, nos dias 05 e 06 de setembro, sábado e domingo às 17 horas. Venha viver essa aventura no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca. A clássica história está divertida e cheia de magia, conquistando crianças e adultos desde a primeira cena. Com um cenário deslumbrante e atuações maravilhosas, o espetáculo, repleto de afeto, destaca a relação entre três gerações — avó, mãe e neta — e traz uma narrativa encantadora, leve e muito divertida. O Lobo Juan, um mestre dos disfarces tão atrapalhado quanto carismático, garante boas risadas. O caçador, medroso e surpreendente, e as fadas, que surgem para encantar e bagunçar ainda mais a história, completam o time de personagens que dão vida a essa versão especial. SERVIÇO Chapeuzinho Vermelho e a floresta encantada Teatro Grandes Atores Shopping Barra Square – Barra da Tijuca Dia 05 e 06 de setembro Sábado e domingo às 17:00 Único final de semana Ingressos R$ 90,00 / meia R$ 45,00 Duração do espetáculo: 55 minutos Vendas Divertix ou bilheteria do teatro. Compre e escolha o seu assento na DIvertix. Link: https://divertix.com.br/teatro/chapeuzinho-vermelho

Com o objetivo de mostrar, de maneira lúdica e divertida, a importância de preservar o meio ambiente, o premiado musical infantil “TcHiBuM! – A Liga Aquática” encerra temporada, neste domingo (06/09), na EcoVilla Ri Happy, no Jardim Botânico. A peça é idealizada por Diego Morais e Pedro Henrique Lopes, criadores do premiado projeto infanto-juvenil “Grandes Músicos para Pequenos”. Em “TcHiBuM!”, eles convidam os espectadores para um mergulho muito divertido e cheio de aventuras com um Boto cinza que sabe de tudo, uma Lontra sempre perdida e uma ave Biguatinga muito animada pelas águas da Baía de Guanabara. Junto das crianças, eles tentam acabar com a sujeira de Fefê Fedida, uma barata do mar que se alimenta de lixo e restos. O espetáculo venceu o Prêmio CBTIJ nas categorias Atuação cênica e dramaturgia original. O espetáculo é patrocinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Ocean Pact, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei do ISS. Serviço: “TcHiBuM! – A Liga Aquática” EcoVilla Ri Happy: Rua Jardim Botânico, 1008 – Jardim Botânico Temporada: De 8 de agosto a 6 de setembro de 2026 Telefone: 3553-2616 Dias e horários: Sábados e domingos, às 11h Ingressos: Plateia vip: R$ 90 e R$ 45 (meia-entrada); Plateia lateral: R$ 70 e R$ 35 (meia-entrada) Lotação: 325 pessoas Duração: 1h05 Classificação: Livre Venda de ingressos: na bilheteria da EcoVilla ou no site Ingresso.com

No domingo, 06 de setembro, às 17h, o Theatro Municipal de Niterói recebe a Orquestra Fernando Brasil - OFeBra, que nasce da música e da vontade de homenagear Fernando Brasil, músico, professor e integrante da Orquestra de Cordas da Grota. A OFeBra amplia a experiência dos encontros musicais realizados anteriormente e transforma essa trajetória em um novo projeto artístico, com programação musical, artistas convidados, participação do público e uma comunicação própria. A proposta não é representar Fernando de forma literal, mas traduzir aquilo que permanece: a música, o repertório, os encontros, a formação de novos músicos e a memória coletiva construída por quem compartilhou sua trajetória. Fernando não aparece como retrato. Ele aparece como som. Sua presença se transforma em atmosfera. O azul índigo, sua cor preferida, ocupa esse lugar na identidade visual: funciona como um campo sonoro, uma frequência que atravessa as diferentes manifestações do projeto. A própria sigla OFeBra assume o papel de uma clave. Assim como a clave orienta a leitura de uma partitura, a marca inicia e organiza a composição. Ela representa também o lugar que Fernando ocupou na Orquestra da Grota: alguém que participou da formação, da orientação e da construção coletiva da música. Se a clave dá o tom, o ponto e vírgula dá continuidade. A OFeBra não existe apenas para lembrar. Existe para fazer acontecer. Cada apresentação, cada músico, cada convidado e cada pessoa do público passa a integrar essa composição coletiva. O que começou com Fernando ganha novos movimentos, novos timbres e novas possibilidades. Fernando deu à OFeBra a origem. A OFeBra dá ao coletivo a música. E a música dá continuidade. OFeBra. Música, tom, continua. Serviço Orquestra Fernando Brasil - Do Luto ao Legado Data: Domingo, 06 de setembro de 2026 Horários: 17h Duração: 90min Classificação: Livre Evento Gratuito | Retirada de 1 ingresso por pessoa na bilheteria, 1h antes do início do espetáculo Local: Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35 - Centro, Niterói

Chapeuzinho Vermelho e a floresta encantada é um sucesso da Cia. Ação Contínua que está voltando para o Teatro dos Grandes Atores para apenas duas apresentações na Barra da Tijuca, nos dias 05 e 06 de setembro, sábado e domingo às 17 horas. Venha viver essa aventura no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca. A clássica história está divertida e cheia de magia, conquistando crianças e adultos desde a primeira cena. Com um cenário deslumbrante e atuações maravilhosas, o espetáculo, repleto de afeto, destaca a relação entre três gerações — avó, mãe e neta — e traz uma narrativa encantadora, leve e muito divertida. O Lobo Juan, um mestre dos disfarces tão atrapalhado quanto carismático, garante boas risadas. O caçador, medroso e surpreendente, e as fadas, que surgem para encantar e bagunçar ainda mais a história, completam o time de personagens que dão vida a essa versão especial. SERVIÇO Chapeuzinho Vermelho e a floresta encantada Teatro Grandes Atores Shopping Barra Square – Barra da Tijuca Dia 05 e 06 de setembro Sábado e domingo às 17:00 Único final de semana Ingressos R$ 90,00 / meia R$ 45,00 Duração do espetáculo: 55 minutos Vendas Divertix ou bilheteria do teatro. Compre e escolha o seu assento na DIvertix. Link: https://divertix.com.br/teatro/chapeuzinho-vermelho

"Limítrofe", espetáculo que aborda saúde mental com humor e drama, com única apresentação na Sala Nelson Pereira dos Santos O universo das patologias psíquicas é o tema central de Limítrofe, um 'dramédia' com única apresentação na Sala Nelson Pereira dos Santos. Com texto original de Oscar Calixto e direção de Daniel Dias da Silva e Anderson Cunha, a peça convida o público a refletir sobre julgamentos apressados e a maneira como a sociedade lida com o sofrimento alheio. O espetáculo tem sua apresentação para o público no sábado, 05 de setembro às 20h. Em uma montagem que une humor, drama, poesia e sensibilidade, "Limítrofe" conta a história de três personagens que se encontram por acaso no telhado de um prédio de vinte andares, cada um com a intenção de tirar a própria vida. O encontro entre uma bailarina (Malu Falangola), um ator de TV (Raphael Najan) e um escritor (Oscar Calixto), com suas dores e conflitos internos, desencadeia uma série de discussões filosóficas e existenciais que culminam num final inesperado. A peça, conta com um convidado especial, participação que será revelada no dia da sessão. Além de entretenimento, o espetáculo se propõe como um espaço de conscientização sobre os transtornos mentais, como o Transtorno de Personalidade Limítrofe ou Borderline, que é marcado por instabilidade emocional e impulsividade autodestrutiva. A trama questiona o que leva as pessoas à exaustão emocional e a sociedade que temos construído neste século. O elenco principal é formado por Malu Falangola, Raphael Najan e Oscar Calixto. A realização é da Baco Produções Artísticas e da Babik Produções, com coprodução da B&C Produções Artísticas. Serviço Limítrofe Data: Sábado, 05 de setembro de 2026 Horário: 20h Duração: 65 min Classificação indicativa: 16 anos Entrada gratuita com retirada dos ingressos 1h antes do evento Local: Sala Nelson Pereira dos Santos Av. Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói

Como parte do projeto Choro Niterói, o Centro Cultural Paschoal Carlos Magno recebe no sábado, 05 de setembro, às 11h, o espetáculo "Whatson Cardozo, Dudu Oliveira e Silvério Pontes convidam". Três mestres do sopro de Niterói juntos, no mesmo palco, transitando entre o choro e a Música Popular Brasileira: o clarinete de Whatson, a flauta de Dudu e o trompete de Silvério promete, encarando o público do Solar. Para essa edição, o trio recebe um timaço de músicos formado por Ronaldo do Bandolim, Vinícius Magalhães, Charlles da Costa, Phelipe Ornellas, Larissa Umaytá e Marcelo Pizzott. Serviço Choro Niterói: Whatson Cardoso convida Dudu Oliveira e Silvério Pontes Data: Sábado, 05 de setembro de 2026 Horário: 11h Entrada Gratuita Classificação indicativa: Livre Local: Centro Cultural Paschoal Carlos Magno Endereço: Campo de São Bento, entrada pela Lopes Trovão - Icaraí

Depois do sucesso da primeira temporada no Rio em julho, o solo “Hamlet 16x8”, com Rogério Bandeira e direção de Marco Antonio Rodrigues, volta em nova temporada entre 4 e 27 de setembro, no Teatro Municipal Domingos Oliveira (Planetário). A peça integra a Mostra Ocupa Boal – um projeto dedicado à trajetória multifacetada do teatrólogo Augusto Boal (1931-2009) – que também apresenta uma exposição com cartazes, fotografias e registros históricos de montagens dirigidas por Boal no Brasil e no exterior. A Mostra Ocupa Boal é idealização do Instituto Augusto Boal – presidido pela psicanalista e atriz Cecília Boal – dedicado a preservar e difundir o legado do dramaturgo, diretor teatral, ensaísta e criador do Teatro do Oprimido. Com dramaturgia do diretor Marco Antonio Rodrigues e do ator Rogério Bandeira, a peça “Hamlet 16x8” parte do livro “Hamlet e o Filho do Padeiro: Memórias Imaginadas”, autobiografia em que Boal revisita a infância, o Teatro de Arena, a prisão, o exílio e sua trajetória internacional. Rodrigues constrói a encenação ao lado de Bandeira, ator com trajetória ligada à pesquisa teatral. A cena vai peneirando os achados, os ditos e os quereres de Boal, representando toda uma geração do teatro brasileiro refundada no Teatro de Arena. A peça estreou em São Paulo em 2021, tendo sido indicada na categoria Melhor Espetáculo do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Entre os dias 16 e 27 de setembro, a temporada do espetáculo “Hamlet 16x8” no Teatro Municipal Domingos Oliveira integra a programação da Semana de Arte do Rio, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). SERVIÇO - MOSTRA OCUPA BOAL Espetáculo “Hamlet 16x8” Local: Teatro Municipal Domingos Oliveira Endereço: Av. Padre Leonel Franca, 240 - Gávea Temporada: de 4 a 27 de setembro de 2026 Dias e horários: Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 19h. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Vendas online: www.sympla.com.br Duração: 1h40 Classificação: 14 anos

Selecionada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a produção de Cinco Minutos Sem Respirar estreia no dia 3 de setembro, no Mezanino do Sesc Copacabana, marcando a primeira encenação brasileira do texto inédito do premiado dramaturgo venezuelano Gustavo Ott. A nova montagem da Notória Companhia, dirigida por Danielle Martins de Farias, traz Carla Guidacci e Vanessa Pascale como duas mulheres de trajetórias distintas, atravessadas por diferentes formas de violência e aprisionamento, que se encontram em um supermercado prestes a fechar. De repente, o tempo parece suspenso e o público acompanha cinco possíveis desdobramentos desse encontro, revelando memórias, medos, desejos, contradições e diferentes possibilidades para o desfecho daquela noite. Serviço Cinco Minutos Sem Respirar Data: de 3 a 27 de setembro de 2026 Dias da semana: quinta a domingo Horário: quinta e sexta às 20h30 / sábado e domingo às 19h Local: Mezanino do Sesc Copacabana Ingressos: R$ 40 (inteira); R$36 (conveniados), R$31 (conveniados empresário), R$28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia entrada); Gratuito (público PCG). Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro -RJ Informações: (21) 3180-5226 Bilheteria - Horário de funcionamento: Terça a sexta - das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados - das 13h às 19h.

Na quarta-feira, 02 de setembro, o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, comemorou 30 anos de sua inauguração. Confira, nas palavras de Ítalo Campofiorito, um pouco da história de sua criação. A História do Início Foi num dia ameno de maio, 1991. Eu acompanhava o arquiteto Oscar Niemeyer e o prefeito Jorge Roberto Silveira, procurando na orla marítima um terreno adequado ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Mas no meio do caminho, no mirante da Boa Viagem, já era evidente que o destino acertara. Seria ali o museu que ainda não tinha forma, mas nascia com invencível vocação de ser. O prefeito, que não era de meias medidas, encarregara-me de convidar Oscar Niemeyer, ver se ele queria fazer um museu de arte contemporânea em Niterói. Fui a Anna Maria e falamos com Oscar. Toda a pequena história dos cinco anos que se seguiram é, aliás, marcada por essa mágica e feminina presença: uma intuição rara e sensível, sua participação foi de uma competência tão constante e discreta que parece implícita, e é tempo de registrar. Porque João e Sylvia Sattamini entram no MAC com a coleção, e sua generosidade inteligente já se integra ao sucesso do museu. E os críticos e curadores, crentes da próxima hora, têm o resto da vida para animá-lo. No dia 15 de julho, o Arquiteto e o Prefeito apresentaram à imprensa o anteprojeto arquitetônico: belo e absolutamente surpreendente, já resolvido, na escala paisagística e na forma-estrutura de concreto armado, com apoio central – aflorando do espelho d’água que é um eco do mar – como um firme caule que se abre em flor, chama, cálice? Para conter as salas de trabalho, o nobre e vasto salão de exposições, a varanda belvedere a toda a volta e os seis setores do mezanino, onde o ritmo das vigas protendidas em balanço de 11 metros e a penumbra museológica lembram paradoxalmente a calma de criptas milenares. A obra foi inaugurada no dia 2 de setembro de 1996. Alguns anos de história e já os fatos e personagens intermediários – embora fundamentais – vão se esbatendo sob a sombra dos protagonistas maiores: o MAC é criação e decisão do arquiteto Oscar Niemeyer e do prefeito Jorge Roberto Silveira. A história crítica sempre se funde com a história monumental ou mítica, guardando-se o resto na história que Nietzsche chamava de antiquária. Mas nesses recantos de memória, ainda lembro o dia – era secretário da Cultura de Niterói – em que fui procurado por Anna Maria Niemeyer, amiga de toda a vida, e pelo colecionador João Sattamini, acompanhados pelo agressivo artista, mas civilizadíssimo curador da coleção, o pintor Victor Arruda. O famoso colecionador queria condições favoráveis para doar à nossa cidade a sua coleção de obras de arte contemporânea brasileira – a maior do país no setor. Pensavam em reformar prédios antigos, a meu ver mal localizados para a evolução urbana, já então incessante, de Niterói. O tempo decorrido foi bastante para que o museu temperasse a sua primeira equipe técnica – como esquecer as reuniões com Luiz Antonio Mello estimuladas pela ansiedade fidalga de João Sattamini? Anna Maria, nem sempre de longe, montou com Victor Arruda a orquestração polifônica de A caminho de Niterói, no Paço Imperial da Praça Quinze, onde minipeças e grandes formatos encontraram uma unidade que era a antevisão do MAC. Os móveis também vieram de Anna Maria: poucos, mas afinadíssimos – volume, cor e textura – para ambientação do espaço arquitetônico. As tarefas executivas deslizaram tão naturalmente para as mãos firmes de Dôra Silveira que chego a pensar que foi o destino mesmo do museu que quis assim. E rapidamente passou-se o resto desta narrativa. Juntaram-se a nós – para a museologia, a teoria e a pesquisa, a arte-educação, a arquitetura museográfica e a administração – Marcia Müller e Rose Miranda, Luiz Camillo Osorio e Guilherme Vergara, Sandro Silveira, Ricardo Brugger e Manoel Vieira, Telma Lasmar e Alexandre Vasconcellos. Peter Gasper trouxe a sua alquimia luminosa. A curta distância, o olhar culto e fraterno de Cláudio Valério Teixeira e os companheiros eficientes da Secretaria da Cultura e da Emusa… Com Oscar Niemeyer, veio a equipe de desenvolvimento, Jair Valera e Anna Elisa Niemeyer, a fiscalização veterana do Hans Müller. E, é lógico, a ciência de Bruno Contarini, cujo cálculo para a estrutura de concreto armado respondeu fielmente à ousadia formal da arquitetura. Enfim, ressurgiam, de fato, em nosso MAC de Niterói os mais velhos amigos da arte e dos artistas na história do ocidente: o Patrocinador, no caso o Poder Público com a visão do estadista, o Arquiteto com sua obra plena de futuro e o Colecionador, que precedeu na história o mercado de arte e os museus. A luta revolucionária de Oscar Niemeyer pela "idéia da liberdade plástica" é conhecida. Do Baile na Pampulha ao Ibirapuera e, depois, Brasília, o Partido Comunista francês, ou o Centro Cultural do Havre, na Universidade de Constantine, no Caminho Niemeyer de Niterói, no Setor Cultural que se ergue em Brasília, a articulação de formas e volumes, a instauração de espaços inovadores, tudo compõe um espetáculo arquitetural único e inigualável. A relação inventiva de Oscar Niemeyer com o cálculo do concreto armado fixou-lhe, através de três vitórias – a leveza arquitetural, os grandes vãos e a forma-estrutura –, uma posição histórica de liderança na arquitetura contemporânea, e o MAC de Niterói é o produto mais recente dessa evolução niemeyeresca: parece a síntese de todas as conquistas que, desde as antigas catedrais, levaram avante a audaciosa vontade de dominar o espaço construído e a paisagem da Terra. Preste o visitante atenção, ao subir a rampa da entrada, nas sutilezas intrigantes e nas significações da criação arquitetônica – verá que à emoção artística se junta uma nítida visão humanista. A rampa não nasce, na verdade, de pura preocupação plástica; funciona, sobretudo, como um dispositivo visual. Percorrê-la é olhar forçosamente o grande volume branco que cresce a cada passo, enquanto desfila lentamente ao fundo o histórico panorama da Guanabara, como um ciclorama fantástico. Ou seja, a rampa é o trajeto de um passeio arquitetônico, quem sabe? A sugerir a rotação da natureza em volta da forma branca, recortada no céu por "uma linha que nasce do chão e, sem interrupção, cresce e se desdobra, sensual, até a cobertura…" propositalmente circular. Uma visão cósmica; não do universo científico, mas de uma apropriação poética e ideológica do mundo. Em nossa época, ao falirem as determinações históricas, ainda maior é a liberdade, a livre escolha de um novo humanismo, fundado na ética e na busca do conhecimento. A beleza do MAC vem exatamente da transcendência poética e onírica dessa crença no futuro. Escrevera o texto acima para um livro que não se fez. De lá para cá, entretanto, prosseguiu a vida do MAC. Diz o povo que não há nada como um dia depois do outro e diz Marc Bloch (Le Métier d’historien, 1947, 1952), nas citações de J.C. Argan (1969) e P. Ricoeur (1978, 1983), que "não se faz história, a não ser com fenômenos que continuam…" ou "que não haveria coisa alguma a compreender, não haveria história, senão por certos fenômenos que continuam…" Muitas posições se renovaram mas, como queria Bloch, prosseguem as mesmas funções nesses acontecimentos outros. O prefeito Godofredo Pinto e o secretário da Cultura Marcos Gomes, para não falar de Marilda Ormy, presidente da Fundação de Artes de Niterói, retomaram o impulso e levam o Museu adiante, com vigor, amizade e compreensão. E o livro do MAC finalmente saiu, ou o leitor não teria chegado até aqui. Ítalo Campofiorito (2006) Arquiteto e Crítico de Arte / Membro do Conselho Deliberativo do Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Em um mundo cada vez mais frenético e implacável em suas metas, cobranças e obrigações, o afeto e seus pequenos gestos podem dar novos significados à vida. Esse é o ponto de partida do espetáculo Vida de Cão – Uma Amizade Fora da Coleira, que chega ao Teatro Dulcina, espaço da Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Centro do Rio de Janeiro, em curtíssima temporada de 3 a 13 de setembro, com sessões de quinta-feira a sábado, às 19h, e domingo, às 18h, e ingressos populares a partir de R$ 10. No palco, dois atores experientes: Pivo Maia, que interpreta Renan, e Claudio Amado, que encarna Wesley. O primeiro personagem vive entre compromissos, pressa e solidão. Sua rotina trabalhosa e complicada esconde o vazio de quem já não encontra mais sentido no dia a dia. Até que, em uma esquina qualquer, surge Wesley — um cachorro vira-lata que, ao ser acolhido por aquele homem, abre espaço para uma amizade, inesperada e transformadora. O espetáculo conta com apoio da Funarte. Com texto envolvente e simples, a obra demonstra como um afeto inesperado pode atravessar barreiras emocionais e recuperar as chances de conexão real entre as pessoas. Uma história que carrega sensibilidade e mistura humor e delicadeza, convidando o público a refletir sobre os laços humanos; a empatia; e a beleza das pequenas mudanças. Serviço Espetáculo teatral: “Vida de Cão – Uma Amizade Fora da Coleira” Quando: de 3 a 13 de setembro de 2026, de quinta-feira a sábado, às 19h, e domingo, às 18h Onde: Teatro Dulcina – Rua Alcindo Guanabara, 17, Centro – Rio de Janeiro (RJ) – próximo ao metrô Cinelândia | Espaço cultural da Fundação Nacional de Artes – Funarte Classificação indicativa: 14 anos Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), site https://www.sympla.com.br/evento/vida-de-cao-uma-amizade-fora-da-coleira/3554356 Duração: 60 minutos Rede social: https://www.instagram.com/vidadecao_espetaculo/

O pianista e compositor uruguaio Gustavo Casenave, vencedor de três prêmios Grammy, estreia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (03/09). O músico se apresenta às 19h, no Salão Assyrio, em uma única sessão, com ingressos a preços populares. Artista Steinway e radicado em Nova York há mais de três décadas, Casenave construiu uma carreira internacional marcada pelo encontro entre jazz, música clássica, tango e improvisação contemporânea. No concerto no Rio, ele apresenta composições autorais e revisita diferentes momentos de sua trajetória musical. Serviço: Gustavo Casenave em Piano Solo Única apresentação - dia 3 de setembro (quinta-feira) Local: Salão Assyrio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Endereço: Praça Floriano S/N - Centro - entrada pela Avenida Treze de Maio Duração: 1h15 minutos Horário: 19h Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada), através da plataforma fever ou na bilheteria do Theatro Municipal Lotação: 300 lugares Classificação: Livre

Dois dias após sua partida, o Brasil ainda se despede de Gracindo Jr., ator e diretor que marcou mais de cinco décadas da dramaturgia nacional. Ele morreu na noite de terça-feira (2), em casa, aos 83 anos, de causas naturais. Filho do ator Paulo Gracindo, nasceu no Rio de Janeiro em 1943 e começou cedo no rádio, aos 15 anos, na Rádio Nacional. No teatro, estreou em 1961 com A Escada, de Oswald de Andrade. Na televisão, brilhou em novelas como Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Explode Coração e Celebridade. Foi um dos fundadores da TV Globo e chegou a contracenar com o pai em O Bem Amado e O Casarão. Além de atuar, dirigiu produções marcantes como a novela Marron-Glacé e o programa Os Trapalhões em 1983. Sua carreira atravessou teatro, rádio, cinema e televisão, sempre com versatilidade e dedicação. O Ministério da Cultura destacou sua contribuição à arte e se solidarizou com a esposa Daisy Poli, os cinco filhos e sete netos. O governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, ressaltou que Gracindo Jr. foi “um dos nomes fundamentais na construção da história da dramaturgia brasileira”. O agenciador Marcus Montenegro lembrou em rede social: “Sua luz e seu talento deixaram uma marca inesquecível em todos nós. Descanse em paz.” Gracindo Jr. deixa um legado que atravessa gerações e permanece vivo na memória da cultura brasileira.


