20 de outubro de 2025

FLIN leva cerca de 22 mil pessoas ao Reserva Cultural

A edição 2025 da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) terminou em clima de música. Foram quatro dias de programação, iniciados na quinta-feira (16), que levaram cerca de 22 mil pessoas ao Reserva Cultural, em São Domingos. Nem o tempo chuvoso deste domingo (19) espantou o público, que compareceu em peso para assistir a nomes como Miguel Falabella, Dudu Nobre e Ana Maria Gonçalves, e encerrou o dia na roda de samba montada no Palco Darcy Ribeiro, com o tema “Sambas que contam histórias”.


Organizada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a FLIN 2025 reuniu mais de 650 atrações, entre grandes nomes da literatura, das artes, do jornalismo e da música, além de autores independentes e coletivos de teatro. O homenageado desta edição foi o antropólogo, educador, escritor e político Darcy Ribeiro (1922-1997), um dos mais importantes pensadores do século XX.


“A FLIN se consolida como uma das mais importantes festas literárias do país, reafirmando Niterói como uma cidade que valoriza a cultura, a literatura, o pensamento e a democracia. Receber autores e artistas de tamanha relevância é motivo de orgulho, mas o que mais nos emociona é ver a população participando. Aproveito para anunciar que a Festa Literária Internacional de Niterói acontecerá todos os anos durante a primavera. Que venham as próximas edições”, celebrou o prefeito Rodrigo Neves.


A festa literária se dividiu em cinco pontos principais dentro do Reserva Cultural. A Sala Nelson Pereira dos Santos recebeu convidados como Conceição Evaristo, Mia Couto, Itamar Vieira Junior, Raphael Montes, Monja Coen, Miguel Falabella, Dudu Nobre, Ana Maria Gonçalves e Nei Lopes. Nos quatro espaços montados especialmente para a ocasião — Palco Darcy Ribeiro, Espaço Nikitinhos, Arena FLIN e Palco Povo Brasileiro — passaram nomes como Thalita Rebouças, Miriam Leitão, Rodrigo França, Caco Barcellos, Edney Silvestre, Zélia Duncan, a dupla Edu Krieger e Natalia Voss, Paulinho Moska, Barbara Reis, Flavio Bauraqui, Luis Miranda, Rosiska Darcy e Dani Fritzen, entre outros.


“A construção da FLIN é feita de muitas mãos e histórias. Apostamos em uma cultura viva, acessível e em constante movimento, que amplia horizontes e molda a sociedade. Cada livro distribuído, cada fala compartilhada e cada olhar atento mostram que a literatura é uma ferramenta poderosa de transformação. Ver tanta gente reunida em torno das palavras nos emociona e fortalece.”, afirmou a presidente da FAN, Micaela Costa.


Quem circulou pelo evento também encontrou estandes de dez editoras independentes e três livrarias. Diferentemente do que ocorre em outras feiras literárias, que cobram um percentual sobre as vendas, na Festa Literária Internacional de Niterói o valor arrecadado ficou integralmente com os expositores.


Outro diferencial da FLIN 2025 foi a atenção à acessibilidade. Toda a programação contou com intérpretes de Libras e recursos de audiodescrição.


A iniciativa agradou frequentadores como a professora de português Raquel Reis, de 53 anos, que tem retinose pigmentar — doença degenerativa que causa perda da visão.


“Sou legalmente cega, só tenho algumas percepções de claridade. Achei muito legal essa proposta de audiodescrição e me senti acolhida, porque as pessoas não costumam ter essa preocupação. Muitas peças de teatro, por exemplo, oferecem esse recurso, mas em dias e horários determinados. Na FLIN, encontrei a audiodescrição em todas as mesas, sem restrição”, contou ela.


Mesmo quem não pôde ir ao Reserva Cultural conseguiu acompanhar a programação. Os canais oficiais da Prefeitura nas redes sociais transmitiram ao vivo as atrações e exibiram entrevistas com autores, autoridades e participantes. Paralelamente, o PodFLIN — podcast da FLIN — teve um total de 41 episódios, sendo 21 do NiteróiCast — podcast oficial da Prefeitura de Niterói — e 20 de programas diversos gravados no espaço.


A curadoria da FLIN 2025 foi assinada por nomes como Vilma Piedade (pesquisadora e escritora), Carla Portilho (diretora do Instituto de Letras da UFF), Jordão Pablo de Pão (diretor de Conteúdo e Programação da FLIN e diretor da Niterói Livros) e Elisa Ventura (diretora da Blooks Livraria).


Reciclagem


A FLIN 2025 também promoveu ações de sustentabilidade. No Espaço Nikitinhos, dedicado ao público infantil, foi montada uma tenda para o recebimento de materiais recicláveis. O Projeto Ler Educa, fruto da parceria entre a Prefeitura de Niterói e o Instituto Social Léo, trocava por livros o que seria descartado. Quem levou 300 gramas de material reciclável recebeu um livro. No total, foram distribuídos mais de cinco mil exemplares, o que representou mais de uma tonelada de resíduos recicláveis arrecadados. Entre os materiais recolhidos estavam papelão, garrafas PET, tampinhas, pilhas, baterias e outros tipos de lixo eletrônico — apenas o vidro não era aceito.


Entre os que aproveitaram para transformar descarte em cultura estavam alunos da rede municipal de Niterói. Os estudantes fizeram fila para escolher os livros — cada um levou uma obra para casa. As bibliotecas das escolas também receberam exemplares. Foi montada uma força-tarefa para que ninguém ficasse sem livro: houve campanha nos colégios para recolhimento de recicláveis, e a CLIN (Companhia de Limpeza de Niterói) colaborou cedendo parte da coleta seletiva.

23 de maio de 2026
A artista Carol Ambrósio apresenta a exposição individual Jardim, no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, com curadoria de Gabriela Davies. Reunindo obras recentes inéditas, a mostra apresenta esculturas, assemblages e trabalhos bidimensionais construídos a partir da coleta, destruição e recomposição de cerâmicas, porcelanas, toalhas de mesa e utensílios domésticos. Ao reorganizar esses elementos em estruturas instáveis, frágeis e ao mesmo tempo resistentes, Carol transforma o universo doméstico em um campo de reflexão sobre as construções sociais do feminino, seus códigos de comportamento e suas possibilidades de ruptura. A exposição parte de um repertório íntimo ligado ao antiquário de sua família, ambiente no qual a artista conviveu desde a infância com objetos carregados de memória, acúmulos e narrativas. Em Jardim, esse imaginário reaparece em figuras fragmentadas, paisagens interrompidas, totens cerâmicos e composições híbridas que parecem oscilar entre ornamentação e colapso. Em muitas obras, figuras femininas aparecem fundidas a objetos decorativos, vasos e flores, numa investigação crítica sobre os lugares historicamente atribuídos às mulheres no espaço doméstico e social. São trabalhos que evocam comportamentos associados à mulher, ressignificados em construções marcadas por deslocamento, ironia e resistência. SERVIÇO: “Jardim”, de Carol Ambrósio Curadoria: Gabriela Davies Abertura: 27 de maio de 2026 Local: Centro Cultural Correios Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro – Rio de Janeiro Entrada gratuita | classificação livre
23 de maio de 2026
O escândalo é só o começo. Um jogador no auge da carreira, milionário, idolatrado, decide sabotar a própria trajetória. Ele quer ser punido. Para contar a sua versão da história, convoca uma jornalista que cobre guerras — alguém acostumada a lidar com situações-limite. Com texto de Luiz Eduardo Soares e direção de Marcus Faustini, o espetáculo “Assim na terra como no céu”, que encerra temporada, neste domingo (24/05), no Teatro Ipanema, começa como uma entrevista exclusiva, vendida como “bombástica”, e se transforma em um duelo intenso sobre culpa, poder, verdade e sobrevivência. Não é sobre futebol. É sobre o nosso tempo. Serão 20 sessões gratuitas ao longo da temporada, às quintas e sextas, às 20h, aos sábados, às 17h e 20h e, aos domingos, às 19h. Serviço: Assim na terra como no céu Temporada: de 30 de abril a 24 de maio de 2026 Dias e horários: quintas e sextas, às 20h, sábados, às 17h e 20h e domingos, às 19h. Teatro Ipanema: Rua Prudente de Morais, 824 - Ipanema, Rio de Janeiro Ingressos: gratuitos, com retirada na bilheteria Duração: 1h15 Lotação: 192 lugares Classificação: 14 anos