2 de março de 2025

O Bem – Amado

O Bem-Amado é uma divertidíssima comédia que enfoca a candidatura a eleição de Odorico Paraguaçu, para prefeito de Sucupira, cidadezinha litorânea, da Bahia. O autor retrata o típico político astuto que faz de tudo para atingir seus objetivos. E, na condição de novo prefeito, o que mais Odorico deseja é inaugurar a sua grandiosa obra política, o primeiro cemitério de Sucupira, para enfim cair nas graças do povo.


Com uma bem-sucedida temporada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro e visto por 19.200 pessoas, o espetáculo que é o sucesso de pública e crítica do verão carioca chega a zona sul carioca – Teatro Clara Nunes – para dar continuidade e para que mais pessoas vejam a brasilidade e atualidade do texto, resgatando o autor Dias Gomes, grande dramaturgo, e apresentá-lo para novas gerações, com obras que falam diretamente ao público com histórias bem construídas, personagens e linguagem popular, sátira, assuntos atuais, além de apresentar um teatro de qualidade artística e de produção cumprindo sua função que é mostrar o homem ao homem.


A função do artista é refletir o seu tempo. Revisitar, nesse momento, nesse Brasil fragmentado e dividido, uma obra que utiliza a comédia para explorar questões trágicas sobre a natureza da política, com personagens tragicômicos, mais cômicos do que trágicos, que se tornaram arquétipos no imaginário de todos que tiveram contato com ela, seja no teatro ou televisão, é sobremaneira oportuno e necessário. O Bem-Amado é um clássico atemporal de nossa fértil dramaturgia, pela dinâmica da política brasileira e, principalmente, pela destreza de seu autor no domínio da arte de escrever para teatro, pois seus personagens são criados a partir de uma observação aguda da vida brasileira.


Dias Gomes, um de nossos maiores autores, com uma obra vasta e significativa, não só por isso, mas apenas isso, justifica uma nova montagem desse seu texto. Pensar o Brasil, através do teatro, nesse momento complexo, com um olhar leve, carregado de fraternidade humana, principalmente HUMOR, é imperativo.


Odorico é interpretado pelo ator Diogo Vilela, nos oferecendo uma nova visão deste político que tem atravessado décadas nos provocando muitas gargalhadas, mas, mais importante, inúmeras reflexões sobre a sublime arte de servir ao próximo.


A peça também aborda questões mais amplas, como a relação entre poder e populismo e a maneira como as promessas políticas podem ser usadas para manipular as massas. O Bem-Amado é uma crítica mordaz à política e à busca desmedida por poder, mando e influência nos meandros mais obscuros das instituições. Nos recantos dos salões onde tudo acontece na calada da noite, ou à boca pequena.


Serviço:


Teatro Clara Nunes
Temporada: De 21/03/2025 à 27/04/2025 - Sexta às 20:00h, Sábado às 20:00h, Domingo às 19:00h
Classificação Indicativa: 12 anos
R. Marquês de São Vicente, 52 - Gávea, Rio de Janeiro – Telefone: (21) 2274-9696


27 de outubro de 2026
Como podemos propor outras formas de convivência entre humanos e não-humanos? É possível cultivar amizade e parentesco entre as espécies? O que podemos aprender com cavalos e éguas? Com esses questionamentos, as artistas-pesquisadoras Aline Bernardi e Dani Lima convidam o público para assistir ao espetáculo “Equina”, que volta em cartaz, de 07 a 29 de novembro, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta. A narrativa afetuosa busca pensar sobre políticas de cuidado e a manutenção da vida cultivadas a partir dessas relações interespécies. A criação é um desdobramento da pesquisa de doutorado de Aline, que também está em cena, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ. “A aposta desta obra é investigar de forma fabulatória como as ecologias relacionais e as alianças interespécies podem propor modos de reparação micropolítica em um mundo danificado”, explica a bailarina e pesquisadora Aline Bernardi. “A criação é um desdobramento da minha pesquisa de doutorado, que fabula memórias da relação de amizade e parentesco que tenho com cavalos e éguas”, completa. As raízes desta pesquisa remontam à infância de Aline, quando a artista morou na zona rural do oeste paulista, e teve uma convivência íntima com cavalos de uma fazenda onde seu pai trabalhava. A partir dessa história pessoal e dos diálogos travados com as pesquisadoras Donna Haraway, Vinciane Despret e Anna Tsing, “Equina” busca articular as três dimensões da ecologia, segundo o filósofo e psicanalista Félix Guattari: a das subjetividades, a social e a ambiental, para especular sobre o papel das alianças interespécies na regeneração da vida. “Fazemos um convite para praticarmos parentesco e amizade com outras espécies. Queremos questionar o uso exploratório e extrativista dos cavalos e das éguas, assim como de outras espécies, no processo de civilização humana, que levam às consequências da crise socioambiental que a gente está vivendo. O que me interessa é convocar nossa espécie a cultivar imaginários de interdependência e conexões colaborativas com as outras espécies e com tudo que está vivo em nosso planeta”, observa Aline. A pesquisadora também aponta seu interesse em dialogar com as cosmovisões indígenas, que criam alianças afetivas com outras espécies, conceito proposto por Ailton Krenak, e cultivam relações de respeito com animais, vegetais, rios, florestas, montanhas. Serviço Espetáculo: Equina Temporada: de 07 a 29 de novembro 2026 Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta: Rua Visconde de Silva s/nº, ao lado do nº 292 – Humaitá. Acesso somente por escadas. Telefone: (21) 2535-3846 Dias e horários: sábados, às 19h, e domingos às 18h. Ingressos: 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Capacidade: 25 pessoas Duração: 1h Classificação etária: 18 anos Venda de ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/128177 e na bilheteria do centro cultural, de quarta a domingo das 15h às 21h.
27 de outubro de 2026
A comédia “O Nome do Bebê”, com Bianca Bin no elenco e direção de Elias Andreato, chega ao Teatro Axia Casa Grande, no Leblon, para uma curta temporada de 5 a 27 de novembro de 2026. As sessões serão às quintas e sextas-feiras, sempre às 20h, segundo a programação oficial do teatro. Na trama, Vicente e Anna, que esperam o primeiro filho, vão jantar na casa da irmã dele e do cunhado, com a presença de um amigo de infância, para anunciar o nome escolhido para o bebê. Vicente faz uma brincadeira infeliz e diz que a criança vai se chamar Adolfo. A partir daí, a conversa vira uma discussão crescente, que traz à tona memórias, ressentimentos guardados, preconceitos e contradições do grupo. Segundo a apresentação do espetáculo, a montagem discute a dificuldade de escuta nas relações mais próximas e a necessidade de aceitar o outro com suas diferenças. A versão brasileira, de acordo com o teatro, soma mais de 100 apresentações entre São Paulo e outras capitais antes de chegar ao Rio. Serviço • Espetáculo: O Nome do Bebê • Temporada: de 5 a 27 de novembro de 2026 • Dias e horário: quintas e sextas-feiras, às 20h (abertura da casa 1h antes) • Local: Teatro Axia Casa Grande — Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Loja A, Leblon, Rio de Janeiro (RJ) • Classificação: 12 anos. Menores a partir de 10 anos entram acompanhados dos pais ou responsáveis. Crianças de até 1 ano e 11 meses no colo do responsável não pagam. • Ingressos: à venda pela Eventim, canal oficial indicado pelo teatro, e na bilheteria. Valores na página de venda. • Informações: (21) 2511-0800