4 de dezembro de 2023

A objetificação da mulher brasileira é tema de mostra no MAC Niterói

A Garota de Ipanema, Iracema, Capitu, Gabriela, as rainhas do carnaval… A mulher brasileira habita há anos o imaginário coletivo como um ícone de sensualidade. Por muito tempo, o seu corpo vem sendo objetificado e hipersexualizado em diversas esferas, especialmente na arte.

Após estrear em Nova York e passar por São Paulo, a exposição coletiva "Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!", chega a Niterói para questionar este "inevitável" ponto de vista e oferecer outra perspectiva sobre essas identidades por meio de 34 obras de artistas mulheres de todo o país. A mostra tem curadoria de Luiza Testa e estará em cartaz de 2 de dezembro de 2023 a 25 de fevereiro de 2024, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o MAC.


Divididas em quatro grandes núcleos, as obras reúnem instalações, fotografias, esculturas, vídeos, litogravuras, entre outras linguagens, que vêm desafiar este lugar-comum, por meio da sensibilidade de artistas brasileiras de diferentes raças, etnias, idades e perfis. A curadora Luiza Testa buscou nomes consagrados no Brasil e no exterior, além de novos expoentes, para diversificar ao máximo o olhar sobre a proposta.

Participam Alice Ruiz, Arissana Pataxó, Berna Reale, Brenda Nicole, D'anunziata, Dalila Coelho, Fernanda Naman, Gabi Beneditta, Juliana Manara, Lenora de Barros, Mahuederu Karajá, Manuela Navas, Mari Nagem, Marta Neves, Milena Paulina, Micaela Cyrino, Nara Guichon, Raquel Pater, Santarosa Barreto, Terroristas del Amor, Vitória Cribb e Yacunã Tuxá.

"É um prazer, enfim, trazer a mostra para o MAC e a expectativa é que a gente possa discutir a sexualização da mulher brasileira. Não necessariamente chegar a uma conclusão, mas começar a falar sobre isso. Embora a gente saiba que hoje tudo está globalizado e a internet dá acesso à arte e a essa discussão, é importante levá-la para o mundo real", diz a curadora Luiza Testa.

"Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!" teve sua estreia internacional na apexart, em Nova York, sob o título de "Oh, I Love Brazilian Women!" e também passou pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP) este ano. Depois, seguirá em itinerância pelo Brasil.

A exposição também vai dialogar com a localização e com o espaço arquitetônico singular do MAC-Niterói, prédio projetado por Oscar Niemeyer para se relacionar com o espaço e com a sua vista única para a Baía de Guanabara. O fato das curvas da mulher brasileira serem umas das maiores inspirações do arquiteto também não passará despercebido.

"Existe uma tradição que coloca o corpo feminino sexualizado como fonte de inspiração, algo mencionado inclusive pelo próprio arquiteto que projetou o prédio do MAC, Oscar Niemeyer, e isso não deixa de ser uma forma de objetificação. Assim, vamos levar isso para a exposição em forma de questionamento, além de abordar a relação do museu com a paisagem, trazendo obras como a da Nara Guichon, a boneca ritxoco de Mahuederu Karajá e da Fernanda Naman, que falam da ligação entre a mulher e a natureza como algo muito mais profundo do que simplesmente essa relação de curvas", completa Luiza.

As obras citadas são inéditas e a exposição ainda contará com outras, pois a cada nova edição, a curadoria se preocupa em trazer novos pontos de vista para gerar discussões.


Quatro grandes núcleos abordam a objetificação, a hipersexualização e a cultura da violência contra a mulher no Brasil

O primeiro núcleo da exposição é De Iracema a Garota de Ipanema, que traz a origem do estereótipo da mulher brasileira sensual, remontando, entre outras referências, ao atroz processo de colonização que, sob o pretexto de civilizar, desumanizou mulheres indígenas, classificando-as como hipersexualizadas e selvagens. Neste núcleo, estarão reunidas obras de Arissana Pataxó, Camila D’anunziata, Lenora de Barros, Mari Nagem, Marta Neves e Nara Guichon. É também neste primeiro núcleo que será abordada a relação com a natureza e a tradição masculina de equalizar a mulher à paisagem, uma grave objetificação.

Em seguida, o núcleo Violências e violações traz para o cerne da discussão as diferentes violências que as mulheres brasileiras estão submetidas, desde a colonização, passando pelo brutal período de escravidão, quando as africanas e suas descendentes foram – e são – vítimas dessa violência, de forma particular. "Diante deste cenário nefasto, é natural que voltemos nosso olhar e esperança para a arte", diz Luiza Testa. Participam deste núcleo Berna Reale, Camilla D'anunziata, Gabi Beneditta, Juliana Manara, Marta Neves, Micaela Cyrino, Santarosa Barreto e Yacunã Tuxá.

O terceiro segmento é Novas estéticas em construção, que traz uma perspectiva de renovação, com um olhar atento sobre as possibilidades. Constam obras de Brenda Nicole, Dalila Coelho, Milena Paulina, Santarosa Barreto e Vitória Cribb.

"Esse núcleo fornece um cenário ligeiramente mais positivo, com obras realizadas por artistas comprometidas com o espírito de seu tempo e que colocam em prática a subversão dos papéis, desafiando as imagens de controle criadas por um sujeito - nesse caso, masculino e eurocêntrico - que domina a narrativa sobre determinados corpos e ainda responsabiliza as vítimas por isso", explica Luiza Testa no texto curatorial.

Encerrando a exposição, o núcleo Afeto e transgressão transmite a ideia de afetividade como ferramenta de resistência e almeja um novo cenário com políticas públicas e de contenção à violência. Participam obras de Arissana Pataxó, Juliana Manara, Lenora de Barros, Manuela Navas, Raquel Pater, Terroristas del Amor e Yacunã Tuxá.

"Algumas obras desse núcleo revelam momentos de intimidade - situações normalmente relegadas à vida privada - mas que, aqui, são colocadas sob o holofote do debate público de forma que as emoções não sejam associadas ao binômio fragilidade/mulher em oposição ao de força/homem", revela Luiza.

"Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!” poderá ser vista de terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h30).

SOBRE LUIZA TESTA: Luiza Testa é Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Teoria Crítica (Critical Theory and the Arts) pela School of Visual Arts – New York, com a tese "De-socialização da esfera privada em 'Um teto todo seu'" [The De-socialization of the Private Sphere in 'A Room of One’s Own']. Esteve à frente da galeria onzedezesseis de 2010 a 2016. Após concluir seu mestrado, em 2017, foi estagiária no departamento de Curadoria do museu Solomon R. Guggenheim, em Nova York. Em seu retorno ao Brasil, trabalhou na área de produção cultural, em exposições como Ai Weiwei – Raiz e Anish Kapoor – Surge. Desde 2020, vem se dedicando ativamente à curadoria, sobretudo em projetos envolvendo debates sociais nos âmbitos de gênero, sexualidade, feminismo e arte digital. Além de atuar no segmento das artes visuais, Luiza é tradutora.

Serviço

"Ah, Eu Amo As Mulheres Brasileiras!"
Abertura: Sábado, 02 de novembro de 2023
Visitação: De 02 de novembro de 2023 a 25 de fevereiro de 2024
Horário: 10h às 17h30 (Terça a Domingo)
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia-entrada)

Gratuidades: Crianças menores de 7 anos; Estudantes da rede pública (fundamental e médio); Moradores e naturais de Niterói; Servidoras/es públicos municipais de Niterói; Pessoas com deficiência; Visitante que chegar ao museu de bicicleta. Às quartas-feiras a visitação é gratuita para todo mundo!

Meia-entrada: Pessoas com mais de 60 anos; Estudantes de escolas particulares e universidades; ID Jovem: Pessoas de baixa renda com idade entre 15 e 29 anos que estejam inscritas no CadÚnico; Professoras/es.

Local da venda de ingresso: diretamente na bilheteria do museu (somente pagamento em dinheiro) ou online pelo site 
Sympla (pagamento via cartão de crédito, PIX ou boleto - este disponível apenas para compras com pelo menos 7 dias de antecedência).

Lembramos que não é permitido circular dentro do museu com bolsas e mochilas de porte médio ou malas, mas há no local guarda-volumes gratuitos para itens de porte médio, sujeito à lotação.

Local: Salão Principal MAC Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº - Boa Viagem - Niterói

29 de março de 2026
A Marco Polo Companhia de Teatro mergulha na obra de Nelson Rodrigues e, inspirada em Álbum de Família, apresenta A Sem Vergonha Sou Eu: um intenso mergulho emocional no universo rodrigueano. A Leitura Dramatizada acontece na terça-feira, 31 de março, às 19h, no Theatro Muncipal de Niterói. Serviço Leitura Dramatizada: "A Sem Vergonha Sou Eu" Data: Terça-feira, 31 de março de 2026 Horário: 19h Ingresso: Gratuito - Sujeito a lotação Duração: 80min Classificação indicativa: 16 anos Local: Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35 - Centro
29 de março de 2026
A programação de abril do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro abre um portal para mundos nem tão distantes através da obra de um gênio que mudou para sempre os games e os quadrinhos. O mês ainda conta com o retorno de uma mostra cinematográfica arrepiante e a despedida da exposição que fez toda a cidade voltar à infância. A partir do dia 22/04, a mostra Yoshitaka Amano – Além da Fantasia apresenta mais de 200 trabalhos do artista japonês por trás da identidade visual dos games Final Fantasy e da série Vampire Hunter D, levando o prédio histórico para outra dimensão. Enquanto um portal se abre, outro se fecha. A mostra Viva Mauricio, que recebeu mais de 600 mil visitantes desde dezembro, passa seus últimos dias no Rio. Mas não é apenas de sonhos que se alimenta o imaginário carioca. Por isso, no dia 15/04, os pesadelos retornam às telas com a 2ª edição de Mestras do Macabro. A seleção de filmes é composta por obras-primas de terror dirigidas por mulheres. E os monstros não param por aí, mas saem do cinema e caem na pista! No dia 17/04, o CCBB se abre para uma Noite no Museu, uma festa cheia de bruxaria para divertir os fantasmas de plantão, em uma dobradinha de cinema + música. Pra quem prefere sacudir o esqueleto ao som de um bom samba, vem aí mais uma edição do Samba do Sacramento, na área externa, dia 25/04. Tem também estreia no teatro: O Extermínio da Cegonha, obra inédita escrita e dirigida por Pedro Uchoa que investiga, de forma divertida, provocadora e atual, o poder da tecnologia na criação de relações, afetos e escolhas. Ainda nos palcos, a partir do dia 30/04, os sons da viola reverberam pelo Rio com a Mostra Violas Brasileiras: da Raiz ao Contemporâneo, série de apresentações celebra a cultura violeira e suas muitas faces. Voltando ao cinema, a Cinemateca do MAM no CCBB traz a mostra Filmes de Sucesso, com longas de sucesso de diversos países, como o americano A Noviça Rebelde e o britânico 007 - Operação Skyfall. Além disso, dia 09/04, em exibição única, a Mostra CTAv 40 anos celebra o aniversário do Centro Técnico Audiovisual com curtas e médias-metragens apoiados pela Instituição. O mês está também recheado de boas conversas: o Clube de Leitura CCBB celebra a beleza do cotidiano ao receber a cronista Martha Medeiros no dia 08/04, em um encontro sobre felicidade; a edição deste ano da Semana Fashion Revolution oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer ecossistemas da moda local independente; o ciclo de palestras PI e o Esporte: em suas Marcas, Preparar, Inovar! debate questões de propriedade intelectual em um contexto de empreendedorismo e inovação para o futuro da área. Informações detalhadas sobre toda a programação, ingressos e releases de cada evento estão disponíveis no site bb.com.br/cultura. SERVIÇO  Releases e materiais de divulgação de cada programação disponíveis no site do CCBB. Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br