31 de agosto de 2026

Transformando o luto em arte, Olavo Gomes estreia "Mainhas", uma carta de amor de um filho às mulheres que o formaram

Um homem decide escrever uma carta que jamais poderá ser entregue. Na tentativa de concluir uma conversa interrompida, ele inicia uma travessia pelas lembranças que moldaram sua identidade. Entre terreiros e carnavais, da Bahia ao Rio de Janeiro, um filho em luto encontra colo na voz de Maria Bethânia, Mariene de Castro, e tantas outras artistas que traduzem a saudade. Assim nasce Mainhas, primeiro solo autoral do ator baiano Olavo Gomes, que estreia em setembro na Sede da Cia dos Atores.


Misturando teatro, performance, humor e relatos autobiográficos, Mainhas é uma carta de amor às mães, às cidades e à arte como território de cura. Sem oferecer respostas para o luto, o espetáculo celebra aquilo que resiste ao tempo: os gestos herdados, as histórias que insistem em ser contadas e as canções que atravessam gerações. “É uma peça que pede uma pausa para reverenciar as mulheres que nos formam. Eu quis exaltar a força da figura feminina na minha vida. Foram as mulheres que me moldaram, me salvaram, me socorreram, me apresentaram a arte, a vida, o teatro. São mães físicas e mães simbólicas”, revela Olavo.


A direção é assinada por João Gofman, que trouxe para o espetáculo uma abordagem contemporânea. “A direção do João tem sido muito assertiva. Desde o início ele tirou o tom melancólico da peça e transformou num teatro de performance, onde o ator vivencia as histórias que conta”, comenta. O resultado é um trabalho que parte de uma experiência pessoal, mas alcança uma dimensão coletiva.


A ideia de transformar a própria história em cena surgiu em 2025, durante uma residência artística na Sede da Cia dos Atores, quando Olavo investigava a obra de Grace Passô. “Percebi que na obra dela a presença da morte era muito forte”, comenta. Conduzindo o processo, o diretor da Cia dos Atores, Marcelo Olinto, propôs que os residentes preparassem uma cena livre. Sem saber o que apresentar, Olavo ligou a televisão e se deparou com a sequência final de Central do Brasil, em que Dora escreve uma carta para Josué. “A inspiração veio na hora: por que não escrever uma carta pra mainha contando tudo que aconteceu depois da sua partida?”, lembra. A cena foi apresentada à turma e Olinto sugeriu que o material fosse ampliado. Mais tarde, Olavo levou o texto a João Gofman, dando início à montagem de Mainhas.


O espetáculo marca também uma mudança na trajetória de Olavo Gomes. Formado pela CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, o ator trilhou uma carreira voltada à investigação da cena contemporânea, atravessando dramaturgias clássicas, processos colaborativos e pesquisas de linguagem no teatro. Esta é a primeira vez que ele leva à cena uma história autobiográfica e assume a autoria de um trabalho: “Mainhas é um passo de afirmação como artista autoral, trazendo para a cena uma história que só poderia ser contada por mim”, conclui.


Classificação: 14 anos


Duração: 55 minutos


 


SERVIÇO


Espetáculo “Mainhas”

Local: Sede Cia dos Atores – Na Escadaria Selarón - R. Manuel Carneiro, 12 - Santa Teresa, Rio de Janeiro - RJ, 20241-120

Temporada: 11, 12 e 13 de setembro

Dias e Horários: Sexta e sábado às 20h, domingo às 19h.

Ingressos: R$60 inteira; R$30 meia-entrada.

Venda: linktr.ee/mainhasespetaculo 

31 de agosto de 2026
A busca de uma mulher por autoconhecimento e transformação pessoal costuma envolver experiências profundas e corajosas. Pode ser uma jornada dolorosa, que pressupõe disposição para enfrentar grandes desafios. Essa reflexão é o ponto de partida do monólogo “Selvagem”, que encerra temporada, nesta sexta-feira (04/09), no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana. Com texto de Marília Passos e direção de Fernando Philbert, a atriz Gabriela Rosas dá vida a Mariana, uma obstetra desencantada com seu casamento e a vida que leva no Brasil. Em busca de novos caminhos, ela se voluntaria para uma missão dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, um país devastado pela guerra civil. Inspirado no romance homônimo de Marília Passos, finalista do Prêmio Jabuti 2023, o espetáculo constrói uma narrativa intensa e poética sobre a nova rotina de Mariana em um ambiente violento, hostil e imprevisível. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com tantos e novos desafios, a médica vive uma paixão arrebatadora por Nino, um médico brilhante e enigmático que lhe apresenta uma nova forma de enxergar o mundo e a si mesma. A trama também propõe discussões sobre as violências e limites vividos pelo corpo feminino e as complexidades da maternidade. Serviço  Selvagem Temporada: de 13 de agosto a 4 de setembro de 2026 Dias e horários: quintas e sextas-feiras, às 20h Teatro Gláucio Gill: Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada) Lotação: 150 pessoas Duração: 1h15 Venda online: https://funarj.eleventickets.com/#!/evento/beabb69402299f72e26268ef1ca24bde7f6e1821/d12b0ee9d8da9ba53449e7d1b32251d68c7a5940 Classificação: 14 anos
31 de agosto de 2026
Após percorrer diversas cidades da Europa e da América Latina, Sílvia Pérez Cruz chega ao Brasil com a turnê internacional de "Oral_Abisal". Apresentando o seu novo disco, a espanhola que é destaque no cenário mundial fará shows em Porto Alegre (02/09), São Paulo (05 e 06/09) e Rio de Janeiro (08/09). No palco, Sílvia é acompanhada por uma formação acústica composta por Marta Roma (violoncelo, trompete e backing vocals), Bori Albero (contrabaixo e backing vocals) e Carlos Montfort (violinos, percussão, trompete e backing vocals). O espetáculo combina canções inéditas com releituras de momentos marcantes de sua trajetória, privilegiando arranjos delicados e grande espaço para a improvisação e a expressividade vocal. Da mesa ao cristal. Da madeira ao metal. Do canto coletivo ao canto introspectivo. Das profundezas do mar aos sonhos celestiais. Dos sóis e das mães aos mares abissais. Sílvia Pérez Cruz traz novas canções autorais para compartilhar, com sons familiares e novos horizontes, novas formas. Desde que soube que cantaria no sonhado Olympia, seu imaginário não parou de criar sons e imagens, até conceber esta nova viagem. O que se propõe nesta turnê é uma mudança de estado. Como faz o canto, como faz o rio, como faz a água. Oral Abisal sucede a bem-sucedida turnê de Toda la vida, un día, mas representa um novo capítulo criativo. O repertório é centrado nas composições do álbum recém-lançado, reforçando o caráter autoral da artista e sua capacidade de unir influências do flamenco, da música popular ibérica e latino-americana, do jazz e da música de câmara em um espetáculo de grande intensidade poética e musical. Lançado em 2026, o álbum é construído sobre a ideia da dualidade, dividindo-se entre dois universos sonoros complementares: "Oral", que representa o familiar, a memória, o coletivo e as raízes, e "Abisal", que mergulha no desconhecido, na introspecção, no sonho e nas profundezas emocionais. A proposta não estabelece uma oposição entre esses mundos, mas um diálogo contínuo entre eles, tendo a voz da cantora como elemento de união. Na parte Oral, predominam timbres quentes e orgânicos, com violões, cordas e harmonias mais densas, evocando o canto compartilhado e a intimidade. Já em Abisal, a instrumentação se expande para metais, flautas e paisagens sonoras mais atmosféricas e experimentais, criando uma sensação de imersão, contemplação e mistério. O resultado é um álbum que alterna delicadeza e intensidade sem perder a unidade estética. Sílvia Pérez Cruz - Agenda de shows: 02/09 - Porto Alegre (Teatro Bourbon Country) Ingressos pela Uhuu 05 e 06/09 - São Paulo (Sesc Pompéia) Ingressos pelo site do Sesc 08/09 - Rio de Janeiro (Teatro Riachuelo) Ingressos pela Ingresso.com