1 de outubro de 2023

Telma Gadelha expõe na Galeria de Arte UFF

Em uma das quatro exposições que compõem o “13o Interculturalidades – Intervenção”, evento do Centro de Artes da UFF, a pintora apresenta obras inéditas inspiradas no Reisado do Cariri cearense.

Mostra “A Ponte”, com curadoria de Alan Adi, fica até 29 de outubro, em Icaraí, Niterói, com entrada franca. 

A pintora Telma Gadelha apresenta a série de pinturas “Guerreiros, Cães e Reis” na galeria de arte da UFF, no evento “A Ponte”. A artista baiana, criada no Ceará e que vive no Rio de Janeiro apresenta cerca de 12 obras inéditas, em acrílica e/ou óleo sobre tela. As outras exposições no local são de Jamex, Thiago Almeida e do coletivo Raquel Reine Areias Gandra. Os quatro foram selecionados através de Edital de Artes Visuais da UFF para expor na galeria e participar de uma coletiva no Museu Janete Costa, no Ingá. O projeto faz parte do 13º Interculturalidades – Inventação, que celebra a arte e a cultura brasileira, em programação elaborada pelo Centro de Artes UFF e a Fundação de Arte de Niterói. A entrada é gratuita e a mostra pode ser visitada até 29 de outubro.

Os trabalhos de Telma Gadelha reunidos no projeto são inspirados em viagens recentes da artista ao Cariri cearense, onde pesquisou os cortejos festivos do Ciclo de Reis, os chamados quilombos de Juazeiro do Norte. Em suas pinturas somos arremessados à grandeza do festejo pelos detalhes. Como uma câmera, que se concentra em pequenos planos, recortes e zooms, suas telas retiram da multidão personagens específicos ou aspectos de fantasias, com grande contraste e luminosidade. Em obras multicoloridas de tamanhos variados, entre 35 x 25 cm e 160 x 130 cm, predominam verdes, azuis e vermelhos de intensa beleza e vibração.

Não vemos seus rostos, mas estão lá os famosos mestres, que comandam cada cortejo, com seus reis e rainhas, príncipes e princesas, embaixadores e guerreiros, representados por coroas, mantos e armaduras carregadas de fitas, lantejoulas e espelhos. Encontramos também os Mateus e Catilinas, personagens cômicos emblemáticos da festa, com a cara pintada de preto. “Essa exposição é antes de tudo uma celebração da peleja lúdica do povo cearense. São pinturas que homenageiam as cores e movimentos do Reisado, a luta entre a luz e a treva, o caos e a ordem”, diz a artista.

Também chamado de Folia de Reis, o Reisado é uma manifestação popular que celebra a visita dos três reis magos a Belém. A celebração inicia-se no Natal, indo até 6 de janeiro, dia em que os reis presenteiam o menino Deus com os dotes de rei (o ouro), de Deus (o incenso) e de mortal (a mirra). São considerados aí como doze dias de sorte e profecia, que espelham os doze meses do ano vindouro. Cada Reisado é comandado por um mestre, que imprime originalidade a seu grupo. Em Juazeiro, um dos mais famosos é o Reisado Discípulos de Mestre Pedro, também chamado Reisado dos Irmãos, comandado por mestre Raimundo e mestre Antônio, retratados por Telma.

Galeria de Arte UFF – Leuna Guimarães dos Santos

A Galeria de Arte UFF foi inaugurada em 1982 com o objetivo de divulgar e estimular a reflexão em torno da produção de arte contemporânea no Brasil. Ao longo de sua trajetória, foi premiada pela ABAPP – Associação Brasileira de Artistas Plásticos Profissionais como a melhor galeria cultural do Rio de Janeiro, em 1984. Depois da reforma pela qual passou todo o Centro de Artes, a Galeria de Arte UFF volta a investir no que há de relevante na arte brasileira. Através de sua opção pela contemporaneidade, a galeria tem o objetivo de instigar o meio artístico e levar informação e conhecimento acerca da produção de arte contemporânea tanto para a comunidade acadêmica quanto para a população local.



SERVIÇO


Exposição de arte contemporânea
Título: A Ponte
Artistas: Jamex, Thiago Almeida, Raquel Reine Areias Gandra e Telma Gadelha
Curador: Alan Adi
Local: Galeria de Arte UFF – Leuna Guimarães dos Santos
Visitação: 20 de setembro a 29 de outubro de 2023
Endereço: Rua Miguel de Frias, 9 - Icaraí – Niterói
Horário: segunda a sexta, das 10h às 21h; sábados e domingos, das 13h às 21h

 

9 de maio de 2026
Escola de São Gonçalo levará para a Sapucaí a histórica missão artística que reuniu principais nome da MPB em Angola O enredo do G.R.E.S Unidos do Porto da Pedra para o Carnaval 2027, desenvolvido pelos carnavalescos Caio Cidrini e Alex Carvalho e pelas enredistas Thaina Santos e Bia Chaves, foi anunciado pela escola e leva o título “Porto Kalunga”. O tema irá abordar a histórica missão artística realizada em Angola no fim da década 1970, que reunião importantes nomes da MPB, em uma viagem marcada por produções musicais populares brasileiras e angolanas para além dos limites do território nacional. Essa imersão em um país lusófono conectou artistas brasileiros ao solo sagrado e produziu feitos imensuráveis para a nossa cultura. A viagem aconteceu poucos anos após a Independência de Angola, conquistada em 1975, a partir de um convite da Secretaria de Estado de Cultura de Angola e da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos. A missão reuniu artistas, compositores e intelectuais brasileiros em uma imersão cultural que fortaleceu os laços entre Brasil e África. “O Porto Kalunga é um enredo de muita memória e reconhecimento. Um olhar para uma travessia que marcou profundamente a MPB e a relação com Angola.” disse o carnavalesco Caio Cidrini. Entre os participantes estavam nomes como Martinho da Vila, Djavan, Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Clara Nunes, João Nogueira e Dorival Caymmi, além de mais de 60 representantes da cultura brasileira. Durante a viagem, Martinho da Vila passou a ser reconhecido em Angola como um “Embaixador Cultural”. Djavan aprofundou referências que influenciaram diretamente sua identidade musical, enquanto Chico Buarque compôs Morena de Angola, eternizada na voz de Clara Nunes. A vivência também marcou profundamente artistas como Dona Ivone Lara, João Nogueira e Dorival Caymmi, que registraram em depoimentos e composições a forte conexão espiritual e cultural vivida em solo africano. A experiência influenciou diretamente a música popular brasileira e reforçou os laços entre Brasil e Angola por meio da arte, da ancestralidade e da música. “Estamos falando de histórias reais, que transformaram muitas vidas. Um encontro entre artistas e culturas que ajudou a construir identidades.” contou o carnavalesco Alex Carvalho.
9 de maio de 2026
Alunos da Orquestra da Grota embarcam para uma experiência internacional que une música, educação e intercâmbio cultural. Com apoio da Neltur, órgão da Prefeitura de Niterói, os jovens embarcaram na sexta –feira (08) para participar de um workshop e concerto na Alemanha, no próximo dia 10 de maio, na Escola de Música Mitte. Fundada em 1995 e sediada na comunidade da Grota do Surucucu, a Orquestra da Grota é mantida pelo Espaço Cultural da Grota (ECG) e se consolidou como uma importante iniciativa de inclusão social. O projeto utiliza o ensino da música clássica como ferramenta de transformação, oferecendo formação gratuita para crianças e jovens de comunidades e criando oportunidades que vão além do ambiente local. "Apoiar iniciativas como a Orquestra da Grota é investir não apenas na cultura e na transformação social, mas também na promoção internacional de Niterói. Esses jovens levam para a Alemanha o talento, a criatividade e a identidade cultural da nossa cidade, fortalecendo a imagem de Niterói como um destino turístico inovador, inclusivo e culturalmente vibrante", declarou o presidente da Neltur, André Bento. O apoio Municipal reflete a visão estratégica do prefeito Rodrigo Neves de promover internacionalmente a imagem da cidade. A Alemanha é um mercado estratégico para o turismo brasileiro e de Niterói. Em 2025, os alemães ocuparam o 5º lugar entre os visitantes internacionais atendidos nos Centros de Atendimento ao Turista de Niterói. " Esse intercâmbio mostra ao mundo que Niterói produz cultura de excelência e que investir em nossos jovens também é promover o futuro do turismo da cidade.” observou André Bento. A apresentação na Alemanha será realizada em parceria com o grupo brasileiro Som Doce da Grota e também contará com um workshop voltado para estudantes a partir de 11 anos. A proposta é promover uma imersão na música brasileira, com foco na prática coletiva, no desenvolvimento rítmico e no diálogo entre diferentes culturas. Durante o concerto, o grupo vai apresentar o arranjo de uma composição de Lundu (dança e canto de origem africana que serviu de base para a música popular brasileira) que foi recolhida por Carl Friedrich Phillip von Martius, um dos mais importantes pesquisadores alemães do século XIX. “O von Martius recolheu 20 melodias aqui no Brasil, inclusive esse Lundu. No museu de antropologia de Itaipu tem o registro da presença dele em nossa região. O Carlos Rodrigues, que faz parte do nosso grupo, fez o arranjo que tocaremos lá.” Explicou Lenora Mendes, professora que faz parte da comitiva para a Alemanha. Ao longo de três décadas de atuação — celebradas em 2025 — a Orquestra da Grota formou gerações de músicos e ampliou sua presença para cidades como São Gonçalo, Itaboraí e Nova Friburgo. Seus integrantes já se apresentaram em importantes espaços culturais, como o Theatro Municipal de Niterói e o Solar do Jambeiro, consolidando o projeto como referência em educação musical e impacto social. Michelle Silva, de 33 anos, iniciou no projeto ainda criança e trilhou seu caminho pessoal e profissional através do que vivenciou na Orquestra. Ela afirmou que o apoio da Prefeitura de Niterói foi fundamental para viabilizar a apresentação na Alemanha. “Sem dúvidas o investimento da prefeitura possibilitou essa viagem. Sem essa ajuda,esse sonho seria colocado na gavetinha, como muitos outros", disse. A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Niterói com políticas públicas voltadas à inclusão de jovens por meio da cultura. Ao investir na formação artística e em experiências internacionais, o Município amplia horizontes e fortalece trajetórias que começam dentro das comunidades e alcançam o mundo. “
Eu estou aqui há 10 anos e é muito bom ter oportunidades de ir pra lugares novos. Eu costumo dizer para as pessoas que eu não sei o que seria da minha vida se eu não tivesse vindo da Grota. Isso mudou completamente a minha vida.” disse, emocionada, a percussionista Lari Reis. Mais do que uma viagem, a participação no intercâmbio representa a continuidade de um trabalho que une educação, cidadania e cultura — mostrando como a música pode abrir caminhos e conectar realidades distintas.