8 de novembro de 2025

Publicação inédita no Brasil aborda as diversas minorias perseguidas pelos nazistas

Além dos judeus, diversos outros grupos também foram perseguidos pelos nazistas e enviados a campos de concentração, como pessoas com nanismo, ciganos, comunistas, deficientes físicos e mentais, gêmeos, homossexuais, intelectuais, maçons, mulheres, negros e testemunhas de Jeová. Este é o tema do livro inédito “As vítimas esquecidas em Tempos de Intolerância: o Nazismo” (Editora Rio Books), da historiadora Silvia Lerner, que será lançado na próxima quinta-feira, dia 13 de novembro, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro. Com 264 páginas, a publicação é a primeira sobre o tema no Brasil e a mais completa já feita até hoje, uma vez que as poucas publicações internacionais existentes sobre o assunto focam em uma única minoria, não abordando o tema de forma ampla.



“Além dos ju­deus terem sido as grandes e primeiras vítimas, os nazistas perseguiram outros grupos considerados uma ameaça no conceito de raça superior típica da ideologia nazista e na manutenção dessa ideologia. Esses grupos incluíam aqueles que não concordavam com a nova política implantada na Alemanha a partir de 1933, e outros grupos que não se enquadravam no conceito para formar uma raça ariana. Foram perseguidos todos aqueles considerados inimigos raciais, políticos ou ideológicos”, conta Silvia Lerner, que no livro aborda essas minorias “tão pouco estudadas, discutidas e descritas”.


 O livro começa contextualizando historicamente o período e a ideologia racial nazista e segue dividido em capítulos sobre “As vítimas esquecidas”, cada um focado em uma minoria, em ordem alfabética, trazendo histórias impressionantes e chocantes relatos de sobreviventes. Silvia Lerner ressalta que, infelizmente, este é um livro muito atual. “O tempo de hoje é de muita intolerância, e isso vem há muito tempo. Sonho, como filha de sobreviventes do Holocausto, que um dia o ser humano aprenderá a História e que esta não se repetirá jamais, e não haverá mais antisse­mitismo, racismo e intolerância”, afirma.



AS VÍTIMAS ESQUECIDAS


Não se sabe exatamente o número, mas muitas pessoas com nanismo foram enviadas para o campo de concentração de Auschwitz, onde foram exterminados ou passaram por dolorosas experiências feitas pelo médico nazista Josef Mengele, como foi o caso dos sete irmãos da família Ovitz, que Silvia Lerner relata no livro. Torturados, eles foram a família mais numerosa a sobreviver em Auschwitz.


Os ciganos também foram perseguidos pelos nazistas e calcula-se que metade da população cigana da Europa, que era composta de 500 mil ciganos, tenha sido exterminada. No livro, Silvia Lerner relata atrocidades cometidas contra este grupo, como experimentos feitos pelo Dr. Wilhelm Beiglboeck em Dachau, em 1944, para es­tudar vários métodos de tornar a água do mar potável, privando ciganos de comida e água, podendo beber somente água do mar. “Eles ficaram tão sedentos e desidratados que lambiam os pi­sos recém-lavados, numa tentativa de obter água potável”, conta a autora.


Os deficientes físicos e mentais eram considerados “inúteis” para a sociedade, uma ameaça à pureza genética ariana e, portanto, indignos de viver. Em 1933, o regime nazista aprovou uma lei de esterilização, que permitia ao governo esterilizar à força qualquer pessoa que apresentasse defi­ciência física ou mental. Os gêmeos também foram vítimas do nazismo, sendo cobaias de Josef Mengele em Auschwitz, que, com permissão para mutilá-los ou matá-los, realizou uma grande série de experiências agonizantes e muitas vezes letais com gêmeos judeus e ciganos, a maioria deles crianças.


A Alemanha foi o lar do primeiro movimento homossexual, mas durante o nazismo, uma mudança na lei fez com que milhares de homens homossexuais fossem perseguidos, presos e morressem em campos de concentração. Muitos deles foram castrados e tomaram injeções de hormônio com o intuito de mudarem de orientação sexual, com taxas de letalidade extremamente altas. Já os negros eram rotulados como uma “perigosa peste”, sendo perseguidos, mortos e esterilizados à força pelos nazistas. Em 1941, as crianças negras foram oficialmente excluídas das escolas públicas de toda a Alemanha, e a maioria sofreu abusos raciais em suas salas de aula, forçados a sair da escola e nenhum foi autorizado a cursar universidades ou escolas profissionais. Os casais chamados “mistos” foram obrigados a se separar.


Comunistas e intelectuais também foram atacados pelo nazismo. A violência contra estes grupos consistia em eliminar a divulgação das ideias que não estavam em conformidade com os ideais nazistas. Em 10 de maio de 1933 ocorreu a Bücherverbrennung em Berlim, que marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmen­te aos escritores, quando uma imensa pilha de livros foi queimada, sepultando a diversidade cultural que havia florescido na década de 1920 naquele país. Tudo o que fosse crítico ou se desviasse dos padrões impostos pelo regime nazis­ta foi sistematicamente destruído.


 Organizações como Maçons e Testemunhas de Jeová também foram perseguidos, assassinados, presos e enviados e campos de concentração pelo regime nazista. Alguns, no entanto, acabavam escapando ao mudar suas ideologias. “Grupos não raciais, como os maçons, tiveram a oportunidade de mudar seus pontos ideológicos por desasso­ciação. Não se pode mudar seu sangue ou herança, mas se pode mudar sua própria ideologia ou participação em grupos como associados”, explica a autora.


Silvia Lerner também dedica um capítulo do livro às mulheres, que muitas vezes não foram perseguidas diretamente, mas cuidaram da casa, do alimento tão escasso, das doenças dos familiares, da falta de medicamentos e da dor de ver seus maridos, pais e filhos sumirem sem notícias de seus paradeiros.


No livro há, ainda, um capítulo dedicado às “pedras de tropeço” (stolperstein), que consiste em instalar placas de latão de 10X10 cm sobre um cubo de concreto em frente às casas onde moraram vítimas do regime nazista. As placas contêm o nome, endereço e datas de nascimento e morte das vítimas, assim como o destino da pessoa. “O objetivo do projeto é restaurar as identidades das pessoas que foram extermi­nadas nos campos de concentração – e ‘devolver’ essas pessoas aos lugares onde elas viviam. Abaixar-se para ler o nome da vítima e suas informações respectivas, segundo o autor do projeto, significa curvar-se simbolicamente às vítimas”, conta a historiadora no livro. Atualmente há 105 mil pedras de tropeço em todo o mundo, que constituem o maior memorial descentralizado do Holocausto no mundo. Silvia Lerner visitou muitos destes locais e ficou impressionada com alguns números: “Há apenas quatro pedras sobre negros, mas obviamente foram muito mais vítimas”, ressalta.


 O livro faz parte do amplo estudo de Silvia Lerner sobre o nazismo, que começou com a publicação “Arte em Tempos de Intolerância: Theresienstadt” (2021), no qual a historiadora abordou as artes visuais produzidas no único campo cultural do período, seguido do livro “A música e os músicos em Tempos de Intolerância: o Holocausto” (2023), na qual a autora abordou a música produzida pelos judeus nos campos de concentração.

 

SOBRE A AUTORA


Silvia Rosa Nossek Lerner é brasileira, filha de pais sobreviventes do Holocausto. Professora especializada em estudos sobre o Holocausto, com graduação em Direito, História e Pedagogia, Pós-graduada em História do Século XX e mestrado em Psicanálise, Sociedade e Cultura. Tem vários artigos publicados e é autora dos livros “Liberdade de escolher como morrer: Resistência armada de judeus no Holocausto” (Imprimatur, 2015), “A música como memória de um drama: o Holocausto (Garamond, 2017), e “Arte em Tempos de Intolerância: Theresienstadt” (Rio Books, 2021), “A música e os músicos em Tempos de Intolerância: o Holocausto” (Rio Books, 2023). 


Serviço: Livro “As vítimas esquecidas em Tempos de Intolerância: o Nazismo” (Rio Books), de Silvia Lerner

Lançamento: dia 13 de novembro, às 19h

Livraria da Travessa

Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de Janeiro - RJ

264 páginas

Formato: 23cmX23cm

Preço: R$110,00

Venda on-line: www.riobooks.com.br

30 de julho de 2026
O movimento e a fala caminham juntos no espetáculo de dança-teatro “Sem corpo não há aqui”. Foi durante o processo de ensaios que a dramaturga e diretora Isabel Cavalcanti desenvolveu os textos que acompanham e se misturam aos gestos da bailarina Giselda Fernandes e da atriz Joana Lerner, madrasta e enteada na vida real, que perderam, há dois anos, o marido e pai, o artista plástico Hilton Berredo. “Sem corpo não há aqui” estreia na Sala Multiuso do Sesc Copacabana no dia 6 de agosto de 2026. A temporada segue até o dia 16 do mesmo mês, com sessões às quintas e sextas, às 19h, e aos sábados e domingos, às 17h. O projeto foi contemplado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025/2026.  Misturando realidade e ficção, e fugindo da narrativa linear, o espetáculo investiga a vulnerabilidade como condição da existência: acontecimentos aparentemente insignificantes revelam dimensões inesperadas da experiência humana. Nesse território instável, onde o cotidiano e o extraordinário se equivalem, a cena se desenvolve. Com humor e densidade, as intérpretes Giselda Fernandes e Joana Lerner atravessam memórias, ausências e deslocamentos, numa reflexão sobre perda, convivência e transformação. Dramaturga e diretora da montagem, Isabel Cavalcanti lembra que foi um grande desafio dirigir uma bailarina e uma atriz, que são madrasta e enteada na vida real e que estão vivendo o luto. “Como realidade e ficção se misturavam o tempo todo nesse processo, precisei criar um espaço em que elas se sentissem seguras para expor as dores, alegrias, memórias, os conflitos, encontros e desencontros existentes entre elas e, simultaneamente, transformar isso tudo em ficção, em dança-teatro”. “A articulação entre fala e movimento na criação da dramaturgia levou meses, dias e noites insones. Foi um longo processo de escrever e apagar, acrescentar e descartar. No início dos ensaios, propus a criação de partituras corporais a partir da história do corpo de cada intérprete. As partituras e minha observação da relação das duas me trouxeram a necessidade de também dizer com palavras. Fui entendendo aos poucos o fluxo entre movimento e fala. E a dramaturgia foi se costurando. Tudo é dança, afinal: a palavra e o gesto”, diz a diretora. A trilha sonora original e o desenho de som da montagem são assinados por Isadora Medella. Os figurinos criados por Marieta Spada vão se modificando em cena, ganhando elementos que remetem ao universo da dança. O vestido usado por Joana Lerner é uma criação de Marcelo De Gang, usado originalmente no solo “Dagmar e seu espelho”, de Giselda Fernandes. O cenário criado por Aurora dos Campos traz objetos ligados à dança e ao corpo. Inicialmente espalhadas, essas peças vão se encontrando durante a narrativa, formando uma escultura de memórias. SERVIÇO Espetáculo: “Sem corpo não há aqui” Temporada: 06 a 16 de agosto de 2026 Dias e horários: Quintas e sextas, às 19h | Sábados e domingos, às 17h Local: Sesc Copacabana – Sala Multiuso (Rua Domingos Ferreira, 160) Ingressos: R$40 (inteira) | R$ 36 (convênio) | R$ 28 (credencial plena Sesc) | R$ 31 (convênio empresário) | R$ 20 (meia-entrada) | gratuito (PCG) Informações: (21) 2547-0156 Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 20h. Vendas online: site da Ingresso.com Capacidade: 50 lugares Classificação: 14 anos. Duração: 60 min.
28 de julho de 2026
Com o objetivo de mostrar, de maneira lúdica e divertida, a importância de preservar o meio ambiente, o premiado musical infantil “TcHiBuM! – A Liga Aquática” faz nova temporada, a partir de 8 de agosto, às 11h, na EcoVilla Ri Happy, no Jardim Botânico. A peça é idealizada por Diego Morais e Pedro Henrique Lopes, criadores do premiado projeto infanto-juvenil “Grandes Músicos para Pequenos”. A dupla também reestreia, no mesmo dia e espaço, “Ritinha Rock & Roll – Rita Lee para Crianças”, com sessões às 16h. Em “TcHiBuM!”, eles convidam os espectadores para um mergulho muito divertido e cheio de aventuras com um Boto cinza que sabe de tudo, uma Lontra sempre perdida e uma ave Biguatinga muito animada pelas águas da Baía de Guanabara. Junto das crianças, eles tentam acabar com a sujeira de Fefê Fedida, uma barata do mar que se alimenta de lixo e restos. O espetáculo venceu o Prêmio CBTIJ nas categorias Atuação cênica e dramaturgia original. Com temas relacionados à preservação e à conscientização sobre as águas, o espetáculo tem direção de Diego Morais, direção musical de Tony Lucchesi, texto de Pedro Henrique Lopes e músicas inéditas de Tony Lucchesi e Marcelo Mendonça. A trama conta a história de Junior e Yasmin, duas crianças que adoram brincar perto da água. Um dia, Yasmin joga um canudo nas águas da baía. O canudo é arremessado de volta e acerta a menina, que, ao olhar de perto é puxada magicamente para uma aventura no fundo do mar junto de seu amigo. Ao conhecerem os animais que ainda vivem na baía, Yasmin e Junior (junto da plateia) descobrem que as águas estão muito poluídas e que o fundo do mar precisa de ajuda urgente! No elenco, estão Lucas da Purificação (Junior), Sara Chaves (Yasmin), Pablo Áscoli (Botão), Gabriel Querino (Bibi), Aline Carrocino (Lilon), Victor Maia (Fefê Fedida) e Erick Villas (Stand in). “Mais do que divertir as crianças e gerar momentos inesquecíveis para as famílias, acreditamos que nosso trabalho enquanto criadores é também conscientizar sobre o mundo, sobre a natureza, sobre a sociedade, sobre o presente e o futuro”, conta Diego Morais. “Adoramos ver as famílias cantando junto e se divertindo. E esperamos que a cada trabalho que a gente coloca em cartaz, contribuamos para construir uma sociedade mais igualitária, mais justa e mais feliz”, acrescenta Pedro Henrique Lopes. Serviço: “TcHiBuM! – A Liga Aquática” EcoVilla Ri Happy: Rua Jardim Botânico, 1008 – Jardim Botânico Temporada: De 8 de agosto a 6 de setembro de 2026 Telefone: 3553-2616 Dias e horários: Sábados e domingos, às 11h Ingressos: Plateia vip: R$ 90 e R$ 45 (meia-entrada); Plateia lateral: R$ 70 e R$ 35 (meia-entrada) Lotação: 325 pessoas Duração: 1h05 Classificação: Livre Venda de ingressos: na bilheteria da EcoVilla ou no site Ingresso.com