27 de agosto de 2026

Programação inédita traz atrações de todo o Brasil ao Centro Cultural Petrobras Futuros

Uma exposição da Bahia com obras de artistas indígenas de diversas etnias; uma instalação multimídia do Paraná que articula representação vocal e paisagem sonora; um espetáculo cênico-musical da Baixada Fluminense que celebra a potência criativa feminina no funk. Estas são algumas das atrações que inauguram a nova programação do Petrobras Futuros - Arte e Tecnologia, no Flamengo, a partir do dia 28. Entre agosto e abril de 2027, o centro cultural traz para a cidade projetos artísticos inéditos com diferentes brasilidades, linguagens e tecnologias, promovendo a circulação cultural. Eles foram selecionados a partir da chamada pública Brasilidades & Futuros e reúnem iniciativas de 12 estados e cinco regiões. A programação é totalmente gratuita e inédita no Rio de Janeiro.


Para marcar a nova fase, na sexta, 28, um evento com direção artística de Batman Zavareze dá boas-vindas ao público a partir das 19h. Será possível conhecer dois trabalhos de artes visuais que ocupam as galerias 2 e 3: respectivamente, a exposição baiana “Nhe´ẽ Se – Desejo de Fala”, com obras de artistas indígenas contemporâneos, e a instalação multimídia paraense “Imunidade”, desenvolvida por 15 mulheres em uma experiência coletiva. Em seguida, terá início o Festival Brasilidades & Futuros Música, que reúne artistas musicais de diferentes regiões do país. No térreo, às 20h15m, o duo paraense “Uaná System” se apresenta misturando carimbó, música eletrônica, tecnologia e cultura amazônica. Em seguida, às 21h15, é a vez das DJs, MCs e bailarinas do #estudeofunk com o espetáculo cênico-musical “Donas do Baile”, oriundo da Baixada Fluminense, no Teatro Petrobras Futuros. Os ingressos gratuitos para as atrações do dia 28 de agosto estão disponíveis AQUI e são sujeitos à lotação.


No sábado, 29, o Festival Brasilidades & Futuros Música continua com dois novos shows que destacam sonoridades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, respectivamente. Às 20h15, “Boca do Tempo”, projeto solo do musicista e pesquisador Sergio Krakowski, usa o pandeiro como interface tecnológica, transformando gestos em sons e imagens; já às 21h15, a performance audiovisual imersiva “De Keke!”, do produtor e DJ Vhoor, transforma o funk mineiro e a vivência das periferias em uma experiência de videomapping ao vivo.


Dando início à programação de artes cênicas – serão oito espetáculos destinados aos adultos e ao público infantil até abril de 2027 -, estreia na quinta-feira, 3 de setembro, a peça adulta mineira “Mordida Exploratória”. Com direção de Amora Tito, o Grupo Armatrux traz ao palco do Teatro Petrobras Futuros uma reflexão sobre consumo, memória e crise ambiental. 


Para os shows e espetáculos teatrais adultos e infantis, será necessária a retirada de ingresso pelo Sympla. Os 30 projetos artísticos de Artes Cênicas, Artes Visuais e Música foram selecionados pela chamada pública nacional Brasilidades & Futuros do Instituto Futuros e patrocinada pela Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura. 


“Dar início ao novo programa artístico é celebrar a multiplicidade de vozes que constroem o Brasil. Na convergência entre arte, tecnologia e saberes diversos, o centro cultural Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia abre as portas para narrativas provocativas e transformadoras. Convidamos o público a vivenciar ideias que questionam o presente e reimaginam os futuros possíveis a partir da nossa própria identidade", ressalta Victor D’Almeida, gerente de cultura do Instituto Futuros. 


Para Chico Dub, curador dos festivais de música da programação, o público poderá ver shows que fogem ao formato convencional e revelam artistas que promovem novas experimentações em suas próprias linguagens. Até abril de 27, 16 projetos com múltiplas sonoridades vão passar pelo Petrobras Futuros.


“Este primeiro festival parte da ancestralidade como ponto de partida para novas criações. Percussão de terreiro, ritmos das nações Ketu, Angola e Ijexá, afro-jazz, hip-hop, música instrumental brasileira e improvisação aproximam tradição oral, música de concerto, performance e experimentação, com destaque para tambores, flauta, tuba e trombone. Desse encontro, emergem narrativas sobre memória, identidade feminina, histórias silenciadas pelo colonialismo, a festa como potência política e novas leituras da diáspora africana.”

13 de outubro de 2026
Três dos nomes mais emblemáticos da história da música brasileira, Milton Nascimento, Djavan e Luiz Melodia, terão suas obras reverenciadas no novo show do guitarrista, compositor e cantor Fábio Rizental, “Três Rosas Negras”, que estreia no palco do Acaso Cultural, em Botafogo, no dia 16 de outubro, sexta-feira, às 20h. Reconhecido por sua guitarra de linguagem contemporânea e virtuosismo aliado à musicalidade, Rizental propõe uma leitura original desse repertório, em linguagem de jazz rock fusion brasileiro, alternando momentos instrumentais e cantados, acompanhado por Alexandre Berreldi no contrabaixo e Léo Bandeira na bateria. Os seus arranjos preservam a essência das composições enquanto dialogam com o jazz, o rock, a improvisação e a música brasileira contemporânea, aproximando esse legado das novas gerações e reafirmando a importância desses autores para a cultura brasileira e para a música mundial.  Serviço: Quando: 16 de outubro, sexta-feira, às 20h Onde: Acaso Cultural – Rua Vicente de Sousa, 16, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: entre R$ 55 e R$ 200, no local ou antecipados pelo site Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/127017/d/414426
13 de outubro de 2026
Aos 10 anos, Oyárónké Gino Ivanir dos Santos já tem uma história para contar, e um livro para compartilhar com o mundo. Autora e ilustradora de As Aventuras da Boneca Oyá, a menina transforma as aventuras de sua boneca em literatura e mostra como a imaginação infantil pode abrir caminhos para a valorização da identidade negra, da cultura afro-brasileira e da educação antirracista. O lançamento da obra ocorreu às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, e destacou a importância de incentivar crianças a ler, escrever e reconhecer suas próprias histórias como parte da diversidade cultural brasileira. Filha da professora doutora Mariana Gino e do professor doutor babalawô Ivanir dos Santos, ambos ativistas do movimento negro brasileiro e referências na promoção da educação antirracista e no combate à intolerância religiosa, Oyárónké encontrou na escrita criativa, por meio da Casa dos Sambistinhas, projeto produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas, uma nova maneira de brincar e expressar sua criatividade. Carinhosamente chamada de Oyá, a boneca que dá nome ao livro é companheira de brincadeiras, viagens e descobertas. A partir dessa relação afetiva, Oyárónké criou uma narrativa divertida e sensível, que reúne situações do cotidiano, experiências em família e referências culturais. Narrada em primeira pessoa, a obra acompanha as viagens, as brincadeiras e as peripécias de Oyázinha. Em uma das passagens, quando perde os dois bracinhos, a boneca precisa ser levada ao “SUS da Nininha” para ser costurada novamente. Em outras aventuras, passeia pelo Rio de Janeiro, por Aparecida do Norte e por São Gonçalo, vai ao cinema e participa até de uma aula de boxe. A narrativa também apresenta momentos da rotina da menina, como as orações antes de dormir, a leitura de livros e gibis e a convivência familiar. Entre os personagens que fazem parte desse universo estão o coelho Sansão, melhor amigo da boneca, e outras bonecas negras que integram a coleção de Oyárónké. Por trás do humor e das aventuras, o livro aborda temas como identidade, pertencimento, religiosidade e representatividade negra. A obra apresenta o significado do nome Oyárónké e sua relação com a cultura iorubá e com a orixá Oyá, valorizando as culturas africana e afro-brasileira de maneira acessível ao público infantil. A diversidade aparece, assim, não como um conteúdo distante da realidade das crianças, mas como parte das brincadeiras, dos afetos e das experiências cotidianas. A publicação reforça que a educação antirracista pode começar na infância, por meio de referências positivas, do acesso à literatura e do reconhecimento das próprias raízes. A publicação integra uma iniciativa da Casa dos Sambistinhas que reuniu 18 crianças: nove em setembro e nove em outubro. Cada participante recebeu 50 exemplares, em uma experiência voltada não apenas à formação de leitores, mas também ao incentivo à produção literária desde cedo. A proposta foi reconhecida pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Flávio Gomes, que destacou a importância da iniciativa para estimular a leitura e a escrita entre crianças e ampliar o alcance de uma agenda antirracista e plural. "Extraordinária iniciativa e fomenta leitores e mais ainda escritores na mais tenra idade. Mostra que é possível sim ampliar para todas as gerações uma agenda antiracista e plural de identidades e gênero. O livro de Oyáronké mostra um potencial de sensibilidades autorais fantásticas". O lançamento também contou com a presença de Helena Theodoro, referência intelectual na luta por espaço para mulheres negras na academia brasileira. Sua trajetória representa uma geração que abriu caminhos para ampliar a participação de mulheres negras nos espaços de produção de conhecimento. A iniciativa recebeu ainda uma mensagem de André Leonardo Chevitarese, professor titular da UFRJ e autor de 27 livros, que celebrou a estreia literária de Oyárónké - “Continue nessa linda trajetória, sendo exemplo para tantas outras crianças, despertando nelas o amor pelos livros.” Oyárónké mostra que uma história pode nascer de experiências simples e afetivas: uma boneca querida, uma viagem em família, uma costura improvisada ou uma brincadeira que ganha novos significados quando transformada em palavras. Ao ocupar o lugar de autora e ilustradora, a menina também amplia as possibilidades de representação na literatura infantil. Sua experiência evidencia a importância de permitir que crianças negras se reconheçam não apenas como personagens das histórias que leem, mas também como criadoras de narrativas próprias. Em As Aventuras da Boneca Oyá, a infância é apresentada como um espaço de imaginação, pertencimento e construção de identidade. A obra reforça uma mensagem central: formar leitores é fundamental, mas incentivar crianças a escrever suas próprias histórias também significa ampliar suas possibilidades de expressão e participação cultural.