13 de março de 2025

Paço Imperial apresenta Exposição Casa Própria

O Paço Imperial apresenta de 15 de março a 11 de maio a exposição Casa Própria que marca a primeira individual da artista Ana Hortides, no Rio de Janeiro,  sua cidade natal. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a mostra faz um panorama de sua produção ao longo de dez anos, incluindo obras inéditas que investigam a casa, explorando sua materialidade. Cimento e azulejos se fundem na sua pesquisa, que parte da arquitetura do subúrbio carioca para expandir sua visão sobre o habitar no Brasil. A produção é da Atelier Produtora.

Nascida e criada em Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Ana Hortides constrói sua poética artística a partir de elementos visuais característicos dos subúrbios e periferias. Em sua pesquisa, materiais comuns à construção civil popular – como cimento queimado e ladrilhos – são transformados em estruturas que tensionam a familiaridade e o estranhamento. Escadas, lajes e fachadas, referências ao saber técnico de pedreiros e trabalhadores informais, surgem em dimensões variadas, descolando-se de suas funções originais e desafiando convenções espaciais e as fronteiras entre arte, política e identidade social.

A exposição ocupa a galeria Terreirinho no Paço Imperial, reunindo obras das séries Casa 15 e a inédita Platibanda (2024). Em Casa Própria, a série Platibanda se desdobra como uma investigação sensível das padronagens e ornamentos presentes nas fachadas das casas populares brasileiras. Esses trabalhos, nomeados como "padrão" ou "raios", emergem tanto no imaginário quanto nas experimentações no ateliê da artista, ampliando sua pesquisa sobre o vocabulário arquitetônico das periferias.

"Platibanda é uma série que nasce da ideia da casa construída por meio da tradição da construção civil popular, tão presente em diversas partes do Brasil. A pesquisa por trás dos trabalhos se baseia na observação das fachadas e platibandas ornamentadas com cacos cerâmicos, elementos que adornam inúmeras casas ao redor do país, formando um verdadeiro idioma visual. Cada obra da série é um fragmento dessa realidade, uma tentativa de dar forma e profundidade a elementos que resistem ao tempo, constituindo uma identidade popular e resgatando o valor simbólico e cultural dessas construções", declara Ana Hortides.

As fachadas, platibandas e terraços dessas construções possuem uma estética única, carregada de significados afetivos, históricos e culturais, expressos nos adornos, desenhos e padrões formados por pisos e cacos cerâmicos coloridos. Essa memória visual e material é diretamente conectada à experiência pessoal de Ana Hortides, cuja família ergueu, com as próprias mãos, a casa onde ainda vivem no subúrbio do Rio de Janeiro. A pesquisa da artista se entrelaça com a tradição da autoconstrução, tão presente nas periferias brasileiras, e com rituais comunitários como "bater laje", símbolo potente de resistência e pertencimento.

"Apresentada de maneira ampla pela primeira vez na cidade do Rio, a produção da artista propõe ao visitante o indomado silêncio do doméstico. Protuberâncias feitas em cimento e ladrilhos multiplicam-se ao longo da exposição, como um tumor que cresce desordenadamente. A cera vermelha, comum ao chão das casas de subúrbio, ergue-se feito cortina, abandonando sua dureza para tornar-se maleável. Mesmo fachadas distantes, como os raio-que-o-parta paraenses, aparecem como primos não convidados, expandindo o espaço expositivo. A casa própria, que para alguns é um objetivo de vida inegociável, aqui revela uma faceta mais inquietante“, declara Lucas Albuquerque, curador da mostra.

No dia da abertura, a artista realizará uma visita guiada abarcando um recorte de diversos períodos da sua produção escultórica, instalativa e em pintura, com trabalhos já realizados e outros inéditos.

Além da exposição, Casa Própria oferece um seminário com a artista, o curador e pesquisadores. O evento abordará temas como arquitetura popular, arte periférica e protagonismo feminino na produção artística, e ocorrerá durante o lançamento do catálogo impresso e digital (e-book), ambos distribuídos gratuitamente. A mostra também conta com audiodescrição das obras e intérpretes de Libras na visita guiada e seminário, garantindo acessibilidade às pessoas com deficiência.


Serviço: Casa Própria - Ana Hortides

Curadoria: Lucas Albuquerque

Paço Imperial: Praça Quinze de novembro, 48. Centro. Rio de Janeiro.

Abertura: 15 de março, sábado, às 15h

Período: de 15 de março a 11 de maio de 2025.

Visitação: de terça a domingo, das 12h às 18h.

Classificação: livre.

30 de outubro de 2026
A Prefeitura de Maricá realiza nesta sexta-feira (30/10), a partir das 17h, o ato de abertura da 11ª Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM), na Orla do Parque Nanci. A programação terá palestra da filósofa, escritora e professora Marilena Chauí, homenageada desta edição, no espaço Papo FLIM/Língua ao Mar. As atividades do primeiro dia começam pela manhã e incluem encontros sobre educação e literatura, atrações infantis e apresentações culturais. Entre os destaques estão a mesa com Aline Midlej e Bárbara Carine, às 14h30, e o show de Os Garotin, às 21h, que integra a programação artística promovida pelo Língua ao Mar. A festa seguirá até 8 de novembro, com Feira do Livro, espaço para escritores locais, FLIMzinha, Arena do Estudante, Rádio FLIM e Palco Principal. O evento também receberá o Língua ao Mar, o Maricá Games e o Congresso da União Maricaense dos Estudantes (UMES). A realização é da Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Educação e da Companhia de Cultura e Turismo Maricá (MARÉ). Programação do primeiro dia — 30/10 8h — Papo FLIM/Língua ao Mar: Yo Soy Américo 10h — Arena do Estudante: Roda de conversa “O Brasil começa na escola”, com grêmios estudantis, Lorran, vice da UBES, e Yago, do MPJ. Mediação: UMES. 11h — FLIMzinha: Pintura facial. 14h30 — FLIMzinha: Teatro infantil. 14h30 — Papo FLIM/Língua ao Mar: Mesa “Palavras que libertam: leituras negras, futuros livres”, com Aline Midlej e Bárbara Carine. Mediação: secretário de Educação, Rodrigo Moura. 16h — FLIMzinha: Guerreiras do K-pop. 16h30 — Arena do Estudante: Muriquinho Pequenino. 17h — Papo FLIM/Língua ao Mar: Início da abertura oficial, com palestra de Marilena Chauí. 17h30 — Papo FLIM/Língua ao Mar: Continuidade do ato de abertura. 20h — Palco Principal: Resenha do Charme. 21h — Palco Principal: Show de Os Garotin, na programação do Língua ao Mar. Serviço: Abertura da 11ª Festa Literária Internacional de Maricá — FLIM 2026 Data: Sexta-feira, 30 de outubro de 2026. Abertura oficial: A partir das 17h, com palestra de Marilena Chauí. Início da programação: 8h Local: Orla do Parque Nanci, em Maricá. Período da festa: De 30 de outubro a 8 de novembro
29 de outubro de 2026
A Sala José Cândido de Carvalho, localizada na sede da Fundação de Arte de Niterói, no Ingá, recebe, a partir da terça-feira, 6 de outubro, a exposição "Gelo e Água" da artista Elza Suzuki, que apresenta uma produção marcada pela investigação da natureza, da paisagem e das transformações ambientais do planeta. Com curadoria de Desirée Monjardim, a mostra será inaugurada às 18h e poderá ser visitada até 4 de dezembro. A mostra reúne trabalhos em que o gelo, a água e elementos da paisagem são transformados em matéria poética e visual, criando imagens que transitam entre o figurativo e o abstrato. A pesquisa da artista parte da observação direta da natureza e de experiências com diferentes materiais e técnicas, construindo uma reflexão delicada sobre as mudanças ambientais contemporâneas. As transformações provocadas pelo clima e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente aparecem como uma espécie de fio condutor da exposição. O derretimento das geleiras, o movimento das águas e a relação entre floresta e rios são referências para uma produção que não recorre à representação explícita ou agressiva dos conflitos ambientais. Em seu lugar, Elza Suzuki constrói um discurso silencioso, utilizando a beleza e a sutileza das imagens como forma de provocar reflexão. "Seu protesto é silencioso, puro, através de imagens belas que falam por si", observa Isis Braga, doutora em Artes Visuais e em Ciências e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em texto sobre a produção da artista. Segundo Isis, Elza se apropria do gelo e descobre nele uma outra dimensão, criando imagens monocromáticas que revelam diferentes possibilidades da matéria. A artista parte, em alguns trabalhos, do universo figurativo, como nas imagens relacionadas às viagens e experiências na Amazônia, e desenvolve processos nos quais o gelo é desfeito e transformado até alcançar resultados abstratos. "Meu processo parte muitas vezes da experiência direta com a paisagem, de registros, desenhos, fotografias e observações de campo", explica Elza Suzuki. A artista Formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, Elza Suzuki atuou por mais de 30 anos nas áreas de design gráfico, editorial e comunicação, desenvolvendo projetos para diferentes instituições e empresas. A partir de 2020, a pintura passou a ocupar um espaço cada vez mais central em sua prática. Desde então, a artista vem aprofundando sua pesquisa por meio da participação em exposições, residências e editais, construindo uma produção que reúne diferentes experiências e linguagens. Sua trajetória profissional também contribui para a construção de um olhar atento à imagem, à composição e aos processos de comunicação. Na pintura, essa experiência encontra novas possibilidades de expressão, especialmente na relação entre matéria, paisagem e natureza. Uma reflexão silenciosa sobre o meio ambiente Ao reunir trabalhos figurativos e abstratos, a exposição propõe ao visitante diferentes formas de perceber a natureza. O gelo, inicialmente reconhecível como elemento da paisagem, torna-se matéria de experimentação e, posteriormente, pode assumir formas que se afastam da representação direta. Nesse percurso, a obra de Elza Suzuki estabelece uma reflexão sobre um planeta em transformação. A beleza das imagens não elimina a dimensão crítica da pesquisa; ao contrário, cria uma maneira sutil de chamar atenção para as mudanças que atingem as paisagens, os rios, as florestas e as geleiras. A exposição apresenta, assim, uma artista que encontra na própria matéria da pintura uma forma de falar sobre o presente. Seu trabalho transforma o gelo, a água e a paisagem em elementos de uma narrativa visual que convida o público a observar, contemplar e refletir. Serviço Exposição "Gelo e Água" de Elza Suzuki Curadoria: Desirée Monjardim Abertura: Terça-feira, 6 de outubro de 2026 Horário: 18h Visitação: até 4 de dezembro (Segunda a sexta, de 08 às 17h Entrada gratuita Local: Sala José Cândido de Carvalho – Sede da FAN Endereço: Rua Presidente Pedreira, 98 – Ingá, Niterói