23 de dezembro de 2024

Nosferatu (2024): Uma Sinfonia Gótica de Terror Assombra os Cinemas


Robert Eggers o fez novamente. O visionário diretor por trás de A Bruxa e O Farol acaba de entregar sua obra-prima, uma reinterpretação visceral e assombrosamente bela do clássico expressionista Nosferatu.

O filme, que estreou em 2024, não é apenas uma homenagem ao original de F.W. Murnau, mas uma reimaginação ousada que mergulha ainda mais fundo nas trevas do mito do vampiro, resultando em uma experiência cinematográfica que é ao mesmo tempo um deleite estético e um soco no estômago.

Um Mergulho nas Trevas: A Estética Gótica Reinventada

Logo nos primeiros minutos, Nosferatu nos envolve em uma atmosfera gótica opressiva, recriando a era vitoriana com uma riqueza de detalhes que beira a obsessão. A paleta de cores, que transita entre o sépia sombrio e o preto e branco fantasmagórico, evoca os pesadelos mais profundos da era. Cada enquadramento é uma obra de arte, com uma composição meticulosa que lembra as pinturas de Caspar David Friedrich e as gravuras de Gustave Doré. Eggers, em colaboração com seu diretor de fotografia Jarin Blaschke, utiliza a luz e a sombra de forma magistral, criando um jogo visual que é ao mesmo tempo belo e perturbador. Os cenários, desde a cidade portuária de Wisborg até o castelo decrépito do Conde Orlok nos Cárpatos, são de um realismo impressionante, transportando o espectador para um mundo onde o sobrenatural parece plausível, até mesmo inevitável.


Bill Skarsgård: A Encarnação do Mal Ancestral


Se havia alguma dúvida sobre a capacidade de Bill Skarsgård de preencher as icônicas sombras de Max Schreck como Conde Orlok, elas foram rapidamente dissipadas. Skarsgård entrega uma performance que é ao mesmo tempo uma homenagem ao passado e uma reinvenção aterrorizante do personagem. Sua fisicalidade é perturbadora, com movimentos que alternam entre a rigidez cadavérica e a agilidade predatória. Seus olhos, brilhando em meio à maquiagem impecável, transmitem uma fome ancestral que transcende a mera sede de sangue. Skarsgård não apenas interpreta o vampiro, ele se torna o vampiro, uma encarnação do mal primordial que assombra os pesadelos da humanidade há séculos. É uma performance que, sem dúvida, garantirá a ele um lugar de destaque na iconografia do terror.


Lily-Rose Depp e Nicholas Hoult: A Inocência Ameaçada


Lily-Rose Depp brilha como Ellen Hutter, a jovem esposa que se torna o objeto da obsessão do Conde Orlok. Depp consegue transmitir a inocência e a vulnerabilidade de Ellen, mas também uma força interior que se revela à medida que ela se confronta com o horror indizível. Sua performance é um contraponto crucial à monstruosidade de Orlok, representando a fragilidade da beleza e da pureza diante das forças das trevas. Nicholas Hoult, como Thomas Hutter, o marido de Ellen, entrega uma performance igualmente convincente, retratando a jornada de um homem comum empurrado para circunstâncias extraordinárias e aterrorizantes. A química entre Depp e Hoult é palpável, tornando a tragédia que se abate sobre eles ainda mais impactante.


Uma Narrativa que Honra o Passado e Reinventa o Futuro


Eggers se mantém fiel à essência da história original, mas infunde a narrativa com uma profundidade psicológica e uma ressonância temática que a elevam a um novo patamar. O roteiro, co-escrito por Eggers, explora temas como o desejo reprimido, a doença, a paranoia e o medo do desconhecido com uma sutileza que evita os clichês do gênero. A narrativa se desenrola em um ritmo deliberado, construindo a tensão de forma gradual e inexorável até o clímax aterrorizante. Este Nosferatu não é um filme de sustos fáceis; é um horror psicológico que se infiltra na mente do espectador e permanece lá muito tempo depois que as luzes se acendem.


Willem Dafoe e a Participação Misteriosa que Eleva o Filme


Embora seu papel seja mantido em segredo até o lançamento, a participação de Willem Dafoe em Nosferatu é um dos pontos altos do filme. Sem revelar spoilers, pode-se dizer que Dafoe interpreta um personagem enigmático e perturbador, que adiciona uma camada extra de complexidade e mistério à trama. Sua presença magnética e sua capacidade de transitar entre o humor negro e a ameaça sutil contribuem para a atmosfera única do filme. A interação de Dafoe com Skarsgård é particularmente memorável, criando uma dinâmica entre os dois personagens que é tão fascinante quanto aterrorizante.


Uma Obra-Prima do Terror Moderno


Nosferatu de Robert Eggers é mais do que um simples remake; é uma obra-prima do terror moderno, uma sinfonia gótica de imagens e sons que assombrará o público por muito tempo. É um filme que respeita o legado do original, mas que também se atreve a explorar novos territórios, mergulhando nas profundezas do mito do vampiro com uma audácia e uma maestria que raramente se vê no cinema contemporâneo. Eggers provou mais uma vez ser um mestre do horror atmosférico, e Nosferatu é a sua coroação. Preparem-se para serem seduzidos e aterrorizados por este conto sombrio, pois Nosferatu não é apenas um filme, é uma experiência visceral que redefinirá o gênero do terror para uma nova geração. É, sem sombra de dúvidas, um forte candidato a filme do ano e um clássico instantâneo.


Nosferatu (2024)

Gênero: Terror, Fantasia, Gótico Duração: Ainda não divulgada. País de Origem: Estados Unidos Idioma Original: Inglês

Ficha Técnica

Direção: Robert Eggers

Roteiro: Robert Eggers

Produção: Robert Eggers, Chris Columbus, Eleanor Columbus, Jeff Robinov, John Graham

Estúdio: Focus Features, Studio 8

Distribuição: Universal Pictures

Direção de Fotografia: Jarin Blaschke

Trilha Sonora: Ainda não divulgado

Design de Produção: Ainda não divulgado

Figurino: Ainda não divulgado

Edição: Ainda não divulgado

Elenco Principal:

Bill Skarsgård como Conde Orlok

Lily-Rose Depp como Ellen Hutter

Nicholas Hoult como Thomas Hutter

Willem Dafoe (papel ainda não revelado)

Aaron Taylor-Johnson (papel ainda não revelado)

Emma Corrin (papel ainda não revelado)

Ralph Ineson (papel ainda não revelado)

Simon McBurney (papel ainda não revelado)

Data de lançamento

Estreis nos cinemas brasileiros no dia 2 de janeiro de 2025.

27 de outubro de 2026
Como podemos propor outras formas de convivência entre humanos e não-humanos? É possível cultivar amizade e parentesco entre as espécies? O que podemos aprender com cavalos e éguas? Com esses questionamentos, as artistas-pesquisadoras Aline Bernardi e Dani Lima convidam o público para assistir ao espetáculo “Equina”, que volta em cartaz, de 07 a 29 de novembro, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta. A narrativa afetuosa busca pensar sobre políticas de cuidado e a manutenção da vida cultivadas a partir dessas relações interespécies. A criação é um desdobramento da pesquisa de doutorado de Aline, que também está em cena, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ. “A aposta desta obra é investigar de forma fabulatória como as ecologias relacionais e as alianças interespécies podem propor modos de reparação micropolítica em um mundo danificado”, explica a bailarina e pesquisadora Aline Bernardi. “A criação é um desdobramento da minha pesquisa de doutorado, que fabula memórias da relação de amizade e parentesco que tenho com cavalos e éguas”, completa. As raízes desta pesquisa remontam à infância de Aline, quando a artista morou na zona rural do oeste paulista, e teve uma convivência íntima com cavalos de uma fazenda onde seu pai trabalhava. A partir dessa história pessoal e dos diálogos travados com as pesquisadoras Donna Haraway, Vinciane Despret e Anna Tsing, “Equina” busca articular as três dimensões da ecologia, segundo o filósofo e psicanalista Félix Guattari: a das subjetividades, a social e a ambiental, para especular sobre o papel das alianças interespécies na regeneração da vida. “Fazemos um convite para praticarmos parentesco e amizade com outras espécies. Queremos questionar o uso exploratório e extrativista dos cavalos e das éguas, assim como de outras espécies, no processo de civilização humana, que levam às consequências da crise socioambiental que a gente está vivendo. O que me interessa é convocar nossa espécie a cultivar imaginários de interdependência e conexões colaborativas com as outras espécies e com tudo que está vivo em nosso planeta”, observa Aline. A pesquisadora também aponta seu interesse em dialogar com as cosmovisões indígenas, que criam alianças afetivas com outras espécies, conceito proposto por Ailton Krenak, e cultivam relações de respeito com animais, vegetais, rios, florestas, montanhas. Serviço Espetáculo: Equina Temporada: de 07 a 29 de novembro 2026 Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto/Sala Preta: Rua Visconde de Silva s/nº, ao lado do nº 292 – Humaitá. Acesso somente por escadas. Telefone: (21) 2535-3846 Dias e horários: sábados, às 19h, e domingos às 18h. Ingressos: 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Capacidade: 25 pessoas Duração: 1h Classificação etária: 18 anos Venda de ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/128177 e na bilheteria do centro cultural, de quarta a domingo das 15h às 21h.
27 de outubro de 2026
A comédia “O Nome do Bebê”, com Bianca Bin no elenco e direção de Elias Andreato, chega ao Teatro Axia Casa Grande, no Leblon, para uma curta temporada de 5 a 27 de novembro de 2026. As sessões serão às quintas e sextas-feiras, sempre às 20h, segundo a programação oficial do teatro. Na trama, Vicente e Anna, que esperam o primeiro filho, vão jantar na casa da irmã dele e do cunhado, com a presença de um amigo de infância, para anunciar o nome escolhido para o bebê. Vicente faz uma brincadeira infeliz e diz que a criança vai se chamar Adolfo. A partir daí, a conversa vira uma discussão crescente, que traz à tona memórias, ressentimentos guardados, preconceitos e contradições do grupo. Segundo a apresentação do espetáculo, a montagem discute a dificuldade de escuta nas relações mais próximas e a necessidade de aceitar o outro com suas diferenças. A versão brasileira, de acordo com o teatro, soma mais de 100 apresentações entre São Paulo e outras capitais antes de chegar ao Rio. Serviço • Espetáculo: O Nome do Bebê • Temporada: de 5 a 27 de novembro de 2026 • Dias e horário: quintas e sextas-feiras, às 20h (abertura da casa 1h antes) • Local: Teatro Axia Casa Grande — Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Loja A, Leblon, Rio de Janeiro (RJ) • Classificação: 12 anos. Menores a partir de 10 anos entram acompanhados dos pais ou responsáveis. Crianças de até 1 ano e 11 meses no colo do responsável não pagam. • Ingressos: à venda pela Eventim, canal oficial indicado pelo teatro, e na bilheteria. Valores na página de venda. • Informações: (21) 2511-0800