4 de março de 2025

Espetáculo de dança “Água redonda e comprida” faz três apresentações no Sesc Tijuca

Inspirada no conhecimento e na cosmovisão do povo indígena Kaingang, a bailarina e mestra em antropologia social Geórgia Macedo idealizou, ao lado de Iracema Gah Teh e Angélica Kaingang, o espetáculo de dança contemporânea “Água redonda e comprida”. Nos dias 20, 22 e 23 de fevereiro, o espetáculo será apresentado no

Em cena, Geórgia Macedo divide o palco e a criação das coreografias com a bailarina Nayane Gakre Domingos, pré-adolescente indígena Kaingang. Neste encontro, as intérpretes brincam e criam movimentos orgânicos e intuitivos por meio de jogos e também a partir da interação com objetos, criando imagens coreográficas fluidas. O cenário remete ao movimento das águas e se transforma ao longo do espetáculo, trazendo histórias que foram apagadas por séculos. A trilha sonora é de Thiago Ramil, e Isabel Ramil está à frente do figurino e da cenografia. A bailarina Camila Vergara assina a direção de movimento e Kalisy Cabeda, a direção cênica.

Em 2015, Geórgia começou a pesquisar a educação, a territorialidade e a cosmologia Kaingang durante o seu mestrado em antropologia social na UFRGS. “Na época, conheci a Angélica Kaingang, mãe da Nayane [então com apenas 5 anos], que foi a minha primeira professora indígena. Foi ela quem me apresentou à liderança política e espiritual Iracema Gah Teh.” Angélica e Iracema fazem a orientação cênica do espetáculo.

“Água redonda e comprida” busca construir caminhos para a conscientização da conservação, preservação e proteção das águas. Pelo conhecimento do povo Kaingang, as águas não são vistas apenas como fonte da natureza, mas a partir da noção de parentesco. Conforme explica Iracema, “as águas são parte do nosso corpo e também desse corpo terra. A água que brota da terra é como o leite que brota do seio das mulheres. E jogar sujeira na água seria como jogar uma sujeira no olho da nossa avó ou mãe”.

O povo Kaingang concebe dois tipos de água no mundo: Goj tej (água comprida, dos rios) e Goj ror (água redonda, as nascentes, os lagos). Essas águas são complementares, como toda a cosmologia Kaingang, e é na união e troca entre as duas metades que o mundo pode ficar em equilíbrio. Não só as águas, mas todo universo Kaingang é dividido entre as coisas redondas (ror) e compridas (téj).

“No Rio Grande do Sul, nós vivemos em territorialidade com os povos Kaingang, Mbya-Guarani, Charrua e Xokleng. Como aprendi com Iracema, o Rio Guaíba e seus afluentes são compreendidos como partes de um grande corpo. Deste corpo água que é o planeta Terra. Esses conhecimentos, que buscamos trazer através da dança, quebram a ideia de que as águas, os animais e as árvores são apenas recursos da natureza”, conta Geórgia.

Geórgia Macedo (bailarina e direção geral)

Mestra em Antropologia Social, bailarina, educadora e produtora. Trabalha desde 2016 junto aos povos indígenas em projetos culturais através da produtora Tela Indígena. Seu primeiro trabalho autoral foi “Afluência” (2019), concebido e apresentado junto a

artistas da música e artes visuais, sendo indicada ao Açorianos de Dança (2020) por espetáculo do ano, bailarina, coreografia, direção (coletiva) e destaque em dança contemporânea. Seu último trabalho autoral é o espetáculo de dança contemporânea “Água redonda e comprida”. Tem experiência internacional com Les Gens de Uterpan (Paris-França), em 2018, e com a Cia VALLETO (EUA/México), em 2021. Recentemente na residência Puertos de Sur a Sud (novembro/2023), promovida pelos Institutos Goethe na América do Sul (Colômbia, Argentina, Venezuela, Uruguai, Chile, Brasil e Paraguai).

Nayane Gakre (bailarina)

Jovem Kaingang da terra indígena do Votouro, mora na cidade de Porto Alegre junto com sua mãe na Casa de Estudante Indígena da UFRGS. Acompanha sua mãe participando das lutas políticas em Brasília e dos encontros de lideranças do Estado do Rio Grande do Sul. Nayane tem 13 anos, participou dos grupos de dança nos territórios onde viveu e seu primeiro trabalho nas

artes cênicas foi com o espetáculo “Água redonda e comprida”, quando foi indicada ao Açorianos de Dança 2022 na categoria “Intérprete Destaque”.

FICHA TÉCNICA

    Orientação cênica: Iracema Gah Teh Nascimento e Angélica Kaingang
    Direção geral: Geórgia Macedo
    Bailarinas criadoras: Geórgia Macedo e Nayane Gakre Domingos
    Direção artística: Geórgia Macedo e Kalisy Cabeda
    Direção cênica: Kalisy Cabeda
    Coreografia: Geórgia Macedo e Nayane Gakre Domingos
    Direção de movimento: Camila Vergara
    Preparação corporal: Camila Vergara e Geórgia Macedo
    Figurinos e cenografia: Isabel Ramil
    Criação e operação de luz: Thaís Andrade
    Trilha sonora e operação de som: Thiago Ramil
    Voz e narrativas: Iracema Gah Teh Nascimento e Angélica Kaingang
    Design gráfico: Vini Albernaz
    Redes Sociais: Ananda Aliardi
    Produção Temporada SESC RJ: Vergara Produções Artísticas – Camila Vergara

SERVIÇO

Espetáculo: “Água redonda e comprida”

    Apresentações: 20, 22 e 23 de fevereiro de 2025
    Horário: 19h (quinta) e 16h (sábado e domingo)
    Local: Sesc Tijuca (Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca)
    Ingressos: R$ 5 (associado do Sesc), R$ 10 (meia-entrada), R$ 20 (inteira), Gratuito (PCG)
    Informações: (21) 4020-2101
    Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 20h.
    Classificação indicativa: Livre
    Duração: 60 minutos

26 de outubro de 2026
O Centro Cultural Light (CCL), localizado no Centro do Rio de Janeiro, recebe nos dias 27, 28 e 29 de outubro a primeira edição do São João Marcos Cine Festival, mostra gratuita que reúne produções audiovisuais voltadas à preservação da memória e do patrimônio cultural fluminense. Serão exibidos os quatro primeiros episódios da série documental 'O Parque', que conta a história da criação do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, e o curta-metragem documental 'A História de São João Marcos', que resgata a trajetória da antiga cidade por meio de depoimentos de ex-moradores. Mais do que uma sessão de cinema, a ação propõe uma reflexão sobre a importância da preservação da memória coletiva, reunindo histórias, personagens e registros que ajudam a manter vivo um importante patrimônio cultural do estado. A iniciativa também reforça o papel do Centro Cultural Light como espaço aberto à difusão do conhecimento, à formação de público e ao acesso democrático à cultura. Serviço:  São João Marcos Cine Festival Datas: 27, 28 e 29 de outubro de 2026 Local: Centro Cultural Light (CCL) Endereço: Avenida Marechal Floriano, nº 168, Centro, Rio de Janeiro Entrada: Gratuita
26 de outubro de 2026
No dia 29 de outubro, quinta-feira, os alunos da segunda edição da Scuola di Teatro Lucia Cerrone apresentam o espetáculo Nós e Retalhos, às 18h e às 20h30, no Theatro Municipal de Niterói. O curso gratuito de teatro para estudantes da rede pública, idealizado e produzido por Fabrizio Sassi, acontece de março a outubro de 2026, com 49 alunos de nove escolas, na Scuola di Cultura, centro cultural que completa dez anos neste mês. O projeto é realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC), com patrocínio da Enel Distribuição Rio . As aulas acontecem em turmas de nível básico e intermediário. Estrutura, professores qualificados mas também apoio com transporte e alimentação para manter o aluno no curso Os alunos vêm de nove escolas da rede pública: Brasil-China, Cizínio Soares, Baltazar Bernardino, Coluni UFF, Dr. Adino Xavier, Leopoldo Fróes, Dôrval Ferreira, Liceu Nilo Peçanha e David Capistrano. A ida e a volta entre as escolas e a Scuola são garantidas por uma razão prática: em outros cursos gratuitos que o centro ofereceu, muitos alunos faltavam por falta de transporte. O lanche entrou pelo mesmo motivo. Os alunos chegam direto da escola e passam horas em aula, e a alimentação tira mais uma barreira para que continuem. Para ficar no curso, o aluno precisa manter a frequência na escola regular. Segundo a Scuola, houve estudantes que pensavam em deixar os estudos e permaneceram, e outros, com baixa presença, que voltaram a frequentar as aulas. Na primeira turma, em 2023, a assiduidade escolar dos participantes chegou a 97,5%. Serviço Nós e Retalhos, da Scuola di Teatro Lucia Cerrone Data: quinta-feira, 29 de outubro Horários: 18h e 20h30 Local: Theatro Municipal de Niterói (Rua Quinze de Novembro, 35, Centro, Niterói) Classificação indicativa: 10 anos.