27 de setembro de 2023

MUL.TI.PLO abre mostra de Ana Calzavara no Leblon

Com texto crítico de Victor Gorgulho, “Quiçaça” traz trabalhos inéditos da pintora paulista, em obras que afirmam a vida através do impensável.

Exposição abre no dia 28 de setembro, quinta, e fica em cartaz até 1o de dezembro, no Leblon. 

No vocabulário popular, quiçaça significa mato baixo e espinhento, capoeira de paus tortuosos e ásperos. Esse é o nome da exposição que a Mul.ti.plo abre no dia 28 de setembro, às 18h, da artista Ana Calzavara. Em obras inéditas, a pintora paulista traz à luz essas pequenas plantas rebeldes e obstinadas, que rebentam de um muro descascado, das gretas de uma calçada, do asfalto esburacado. Quem assina o texto crítico é o curador e pesquisador Victor Gorgulho. Todos os trabalhos são recentes e foram produzidos especialmente para a exposição, que será a primeira individual da artista na galeria e no Rio de Janeiro. A mostra fica em cartaz até 1º de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h30, no Leblon, com entrada franca.

“Quiçaça” reúne cerca de 25 pinturas em óleo sobre tela, cinco sobre cerâmica e um tríptico de xilogravuras. Há também nove frottages, feitas em papel japonês com carvão, bastão a óleo, guache e pastel. “Captei a rugosidade, a matéria bruta da rua esburacada, a selva de pedra e as plantas que vão nascendo nessas gretas”, diz a pintora natural de Campinas, que vive em São Paulo. Nas obras dela, a arte insiste em brotar nos locais mais inóspitos. “Nessa exposição eu queria trazer essa graça da planta nascendo apesar das adversidades. Essa vivacidade do broto fala de insubordinação, resiliência, mas igualmente de alegria e esperança. Isso me interessa”, resume a pintora. As obras possuem formatos diversos, que vão de 22 x 35 cm, a um díptico de 90 x 220 cm, e um tríptico de 100 x 250 cm, aproximadamente.

Em suas pinturas, Ana Calzavara tem a capacidade de lidar com elementos aparentemente banais e corriqueiros, que, envoltos por uma complexidade em termos pictóricos, desperta a partir da linguagem da arte, novas percepções de mundo. Segundo Maneco Müller, sócio da Mul.ti.plo, para falar da poética da artista vale lembrar uma afirmação de Ferreira Gullar (1930-2016) sobre a escrita de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): “O que me marcou mais foi a exploração de certos aspectos muito banais da realidade que eram transformados em poesia”. E explica: “Calzavara tem essa rara faculdade de encontrar no ordinário, aos olhos comuns, matéria para falar de seu tempo. Essa insurgência, que se dá pelas beiras, pelos entres, é absolutamente surpreendente e contemporânea, por trazer em si uma radicalidade monumental de quem enfrenta todas essas dificuldades e obstáculos”, diz o galerista, que comanda a casa ao lado de Stella Ramos.

A pintura de Calzavara nos convida também à fruição em um outro tempo. Em suas obras, a mesma cena pode estar repetida. “Alguns trabalhos têm uma espécie de cacofonia, uma repetição de um pedaço da pintura, um zoom de uma das partes... É um interesse meu que vem se intensificando, um convite ao observador a desacelerar o tempo de leitura da imagem, a olhar novamente, por diferentes ângulos”, conclui a artista.

 

SERVIÇO
 
Título: Ana Calzavara I Quiçaças 
Texto crítico: Victor Gorgulho 
Abertura: quinta feira, dia 28 de setembro de 2023
Horário: 18h às 21h
Período da exposição: 28.09 a 01.12.23
Local: Mul.ti.plo Espaço Arte
Horário: de segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
End: Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro

 

30 de julho de 2026
O movimento e a fala caminham juntos no espetáculo de dança-teatro “Sem corpo não há aqui”. Foi durante o processo de ensaios que a dramaturga e diretora Isabel Cavalcanti desenvolveu os textos que acompanham e se misturam aos gestos da bailarina Giselda Fernandes e da atriz Joana Lerner, madrasta e enteada na vida real, que perderam, há dois anos, o marido e pai, o artista plástico Hilton Berredo. “Sem corpo não há aqui” estreia na Sala Multiuso do Sesc Copacabana no dia 6 de agosto de 2026. A temporada segue até o dia 16 do mesmo mês, com sessões às quintas e sextas, às 19h, e aos sábados e domingos, às 17h. O projeto foi contemplado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025/2026.  Misturando realidade e ficção, e fugindo da narrativa linear, o espetáculo investiga a vulnerabilidade como condição da existência: acontecimentos aparentemente insignificantes revelam dimensões inesperadas da experiência humana. Nesse território instável, onde o cotidiano e o extraordinário se equivalem, a cena se desenvolve. Com humor e densidade, as intérpretes Giselda Fernandes e Joana Lerner atravessam memórias, ausências e deslocamentos, numa reflexão sobre perda, convivência e transformação. Dramaturga e diretora da montagem, Isabel Cavalcanti lembra que foi um grande desafio dirigir uma bailarina e uma atriz, que são madrasta e enteada na vida real e que estão vivendo o luto. “Como realidade e ficção se misturavam o tempo todo nesse processo, precisei criar um espaço em que elas se sentissem seguras para expor as dores, alegrias, memórias, os conflitos, encontros e desencontros existentes entre elas e, simultaneamente, transformar isso tudo em ficção, em dança-teatro”. “A articulação entre fala e movimento na criação da dramaturgia levou meses, dias e noites insones. Foi um longo processo de escrever e apagar, acrescentar e descartar. No início dos ensaios, propus a criação de partituras corporais a partir da história do corpo de cada intérprete. As partituras e minha observação da relação das duas me trouxeram a necessidade de também dizer com palavras. Fui entendendo aos poucos o fluxo entre movimento e fala. E a dramaturgia foi se costurando. Tudo é dança, afinal: a palavra e o gesto”, diz a diretora. A trilha sonora original e o desenho de som da montagem são assinados por Isadora Medella. Os figurinos criados por Marieta Spada vão se modificando em cena, ganhando elementos que remetem ao universo da dança. O vestido usado por Joana Lerner é uma criação de Marcelo De Gang, usado originalmente no solo “Dagmar e seu espelho”, de Giselda Fernandes. O cenário criado por Aurora dos Campos traz objetos ligados à dança e ao corpo. Inicialmente espalhadas, essas peças vão se encontrando durante a narrativa, formando uma escultura de memórias. SERVIÇO Espetáculo: “Sem corpo não há aqui” Temporada: 06 a 16 de agosto de 2026 Dias e horários: Quintas e sextas, às 19h | Sábados e domingos, às 17h Local: Sesc Copacabana – Sala Multiuso (Rua Domingos Ferreira, 160) Ingressos: R$40 (inteira) | R$ 36 (convênio) | R$ 28 (credencial plena Sesc) | R$ 31 (convênio empresário) | R$ 20 (meia-entrada) | gratuito (PCG) Informações: (21) 2547-0156 Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 20h. Vendas online: site da Ingresso.com Capacidade: 50 lugares Classificação: 14 anos. Duração: 60 min.
28 de julho de 2026
Com o objetivo de mostrar, de maneira lúdica e divertida, a importância de preservar o meio ambiente, o premiado musical infantil “TcHiBuM! – A Liga Aquática” faz nova temporada, a partir de 8 de agosto, às 11h, na EcoVilla Ri Happy, no Jardim Botânico. A peça é idealizada por Diego Morais e Pedro Henrique Lopes, criadores do premiado projeto infanto-juvenil “Grandes Músicos para Pequenos”. A dupla também reestreia, no mesmo dia e espaço, “Ritinha Rock & Roll – Rita Lee para Crianças”, com sessões às 16h. Em “TcHiBuM!”, eles convidam os espectadores para um mergulho muito divertido e cheio de aventuras com um Boto cinza que sabe de tudo, uma Lontra sempre perdida e uma ave Biguatinga muito animada pelas águas da Baía de Guanabara. Junto das crianças, eles tentam acabar com a sujeira de Fefê Fedida, uma barata do mar que se alimenta de lixo e restos. O espetáculo venceu o Prêmio CBTIJ nas categorias Atuação cênica e dramaturgia original. Com temas relacionados à preservação e à conscientização sobre as águas, o espetáculo tem direção de Diego Morais, direção musical de Tony Lucchesi, texto de Pedro Henrique Lopes e músicas inéditas de Tony Lucchesi e Marcelo Mendonça. A trama conta a história de Junior e Yasmin, duas crianças que adoram brincar perto da água. Um dia, Yasmin joga um canudo nas águas da baía. O canudo é arremessado de volta e acerta a menina, que, ao olhar de perto é puxada magicamente para uma aventura no fundo do mar junto de seu amigo. Ao conhecerem os animais que ainda vivem na baía, Yasmin e Junior (junto da plateia) descobrem que as águas estão muito poluídas e que o fundo do mar precisa de ajuda urgente! No elenco, estão Lucas da Purificação (Junior), Sara Chaves (Yasmin), Pablo Áscoli (Botão), Gabriel Querino (Bibi), Aline Carrocino (Lilon), Victor Maia (Fefê Fedida) e Erick Villas (Stand in). “Mais do que divertir as crianças e gerar momentos inesquecíveis para as famílias, acreditamos que nosso trabalho enquanto criadores é também conscientizar sobre o mundo, sobre a natureza, sobre a sociedade, sobre o presente e o futuro”, conta Diego Morais. “Adoramos ver as famílias cantando junto e se divertindo. E esperamos que a cada trabalho que a gente coloca em cartaz, contribuamos para construir uma sociedade mais igualitária, mais justa e mais feliz”, acrescenta Pedro Henrique Lopes. Serviço: “TcHiBuM! – A Liga Aquática” EcoVilla Ri Happy: Rua Jardim Botânico, 1008 – Jardim Botânico Temporada: De 8 de agosto a 6 de setembro de 2026 Telefone: 3553-2616 Dias e horários: Sábados e domingos, às 11h Ingressos: Plateia vip: R$ 90 e R$ 45 (meia-entrada); Plateia lateral: R$ 70 e R$ 35 (meia-entrada) Lotação: 325 pessoas Duração: 1h05 Classificação: Livre Venda de ingressos: na bilheteria da EcoVilla ou no site Ingresso.com