27 de agosto de 2026

Mostra de Cinemas Africanos chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

 A Mostra de Cinemas Africanos chega ao seu nono ano em 2026 com uma semana de programação no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), entre os dias 10 e 16 de setembro. Única plataforma continuada no Brasil dedicada ao audiovisual contemporâneo do continente africano, o evento apresenta uma seleção de produções recentes e inéditas no país, com sessões gratuitas no Cinema I.


Neste ano, a Mostra propõe um recorte inédito em torno do cinema de gênero, reunindo filmes que transitam pela ficção científica, comédia, musical, romance, aventura, horror e thriller psicológico. Com curadoria da pesquisadora e produtora Ana Camila Esteves, a programação reúne ficções e documentários de diferentes países africanos e explora também questões como as transformações das grandes cidades, relações familiares, luto, política e o uso da Inteligência Artificial na produção cinematográfica.


Um dos principais destaques da edição no Rio de Janeiro é a presença da cineasta burkinabé Chloé Aïcha Boro, que acompanha a exibição de seu primeiro longa-metragem de ficção, As Desvirtuosas, no dia 12 de setembro, às 18h, seguida de conversa com o público.


Conhecida internacionalmente por seu trabalho no documentário, Boro parte em As Desvirtuosas de uma história ligada à sua própria família para construir uma ficção sobre quatro mulheres que, após serem expulsas de sua aldeia, formam uma improvável comunidade às margens da sociedade. Com humor, música e elementos de diferentes gêneros cinematográficos, o filme marca uma mudança de linguagem na trajetória da diretora sem abandonar questões presentes em sua obra documental.


A presença de Boro permite ao público brasileiro conhecer uma realizadora cuja carreira se desenvolveu entre literatura, jornalismo e cinema. Seus documentários circularam por festivais internacionais e abordam temas ligados à história política e social de Burkina Faso e às experiências de personagens frequentemente deslocados para as margens das narrativas oficiais. Em seu primeiro longa de ficção, a cineasta incorpora referências familiares e culturais a uma construção que combina drama, humor e fabulação.


O recorte de 2026 parte da presença cada vez mais expressiva de filmes africanos que recorrem às convenções do cinema de gênero para construir suas narrativas. A programação do Rio reúne produções que dialogam com a ficção científica, o sobrenatural, a comédia, o suspense e outras formas populares de cinema, colocando em primeiro plano a liberdade estética de realizadores de diferentes países.


Entre os títulos estão filmes como O Pescador, comédia fantástica ganesa que acompanha um pescador tradicional diante das transformações de sua comunidade; O Despertar de Anam, produção queniana que utiliza elementos sobrenaturais para abordar o luto; e Crocodilo, thriller que explora tensões familiares a partir de uma narrativa de suspense. A sessão dedicada aos curtas de gênero reúne Cabra, Bam Bam, Sukari, Dëmm – As Devoradoras de Almas e O Herói Obscuro, atravessando diferentes registros do fantástico, da ficção científica, da comédia e do sobrenatural.


Outros eixos atravessam a seleção. As experiências de cidade aparecem em filmes como Movimentos Concretos, Liti Liti e Minha História em Jebba, enquanto obras como Cartum e Independência Hoje aproximam o cinema de acontecimentos políticos e históricos recentes no Sudão e no Senegal.


A programação também inclui Memória da Princesa Mumbi, filme que abre a mostra no Rio de Janeiro no dia 10 de setembro, às 18h, e Timpi Tampa, Por Detrás das Palmeiras, Guardião dos Mundos, Roupa Suja, Prova, Diya, A Última Dança da Vergonha e Mobembo.

 

Criada em 2018 pela produtora e pesquisadora baiana Ana Camila Esteves, ao lado da curadora espanhola Beatriz Leal-Riesco, a Mostra de Cinemas Africanos surgiu para ampliar a circulação de filmes africanos contemporâneos nas salas brasileiras.


Em nove anos de trajetória, o projeto soma 22 edições realizadas em sete cidades, incluindo Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Aracaju, Poços de Caldas e Curitiba, com alcance superior a 350 mil pessoas. O evento já exibiu mais de 400 filmes, trouxe mais de 65 convidados ao país e promoveu 45 atividades de formação.


A Mostra de Cinemas Africanos 2026 tem realização de Ana Camila Comunicação e Cultura, apoio da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Francês. No Rio de Janeiro, conta com a parceria do Centro Cultural Banco do Brasil.

 

SERVIÇO



Mostra de Cinemas Africanos 2026 — Rio de Janeiro

Quando: 10 a 16 de setembro de 2026

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro — CCBB RJ

Rua Primeiro de Março, 66 — Centro — Rio de Janeiro/RJ

Cinema I

Entrada gratuita

Classificação indicativa: 14 anos

Ingressos: para as sessões no CCBB, os ingressos gratuitos podem ser retirados na bilheteria do CCBB e pelo site bb.com.br/cultura, a partir das 9h do dia da sessão.

Programação completa: www.mostradecinemasafricanos.com

12 de outubro de 2026
Na segunda-feira, 12 de outubro, a partir das 17h30, o projeto Palco Niterói Música, na Calçada do Theatro Municipal de Niterói, recebe dois talentosos artistas de nossa cidade para shows gratuitos e imperdíveis. Às 17h30, Fred Tavares se apresenta ao público com um tributo a Emílio Santiago. Emiliano é um espetáculo musical concebido para celebrar e preservar a obra de Emílio Santiago, um dos intérpretes mais relevantes da música popular brasileira. No palco, Fred Tavares reúne clássicos consagrados da carreira de Emílio, apresentados em arranjos elegantes, que valorizam a musicalidade, a letra e a memória afetiva do público. Acompanha Fred, uma banda formada por vários músicos que integraram a banda de Emílio, garantindo autenticidade, excelência técnica e fidelidade estética ao repertório apresentado. Às 19h, é a vez de Cláudio Vieira subir ao palco com sua banda. Músico instrumentista, Claudio se apaixonou pela música aos 8 anos de idade, inicialmente, estudando piano. Ao ver seu pai tocando violão, gostou do som e resolveu trocar de instrumento. Em 'Baile Instrumental', o nome de seu mais recente projeto, o atista passeia pelas vertentes e estilos da música Instrumental brasileira e mundial. E também toca cavaquinho em seus shows, tocando temas e improvisos.  Serviço Palco Niterói Música com Fred Tavares e Cláudio Vieira Data: Segunda-feira, 12 de outubro de 2026 Horário: A partir das 17h30 Evento Gratuito Classificação indicativa: Livre Local: Calçada do Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35 - Centro
12 de outubro de 2026
O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) abre, no dia 13 de outubro de 2026, a exposição “As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi. Com curadoria de Luiza Interlenghi, a mostra reunirá dez instalações, produzidas desde 1994 até hoje, incluindo obras inéditas, que trazem como tema o universo feminino. Esta será a primeira vez que a artista reúne trabalhos com essa temática. “Suely Farhi investiga o limiar entre palavra, imagem e espaço – a linguagem transmuta a realidade. As palavras – substantivo feminino plural – desenham o invisível e aderem aos objetos para iluminar a força da mulher”, escreve a curadora Luiza Interlenghi no texto sobre a concepção da exposição. Um dos destaques de “As Palavras” será a obra inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes e sobrepostos, com tamanhos e formatos variados, cheios d’água, onde estão serigrafados adjetivos positivos sobre as mulheres. “Será preciso movimentar o corpo, como uma dança, para poder ler todas as palavras”, conta a artista, que por meio de uma pesquisa sobre a flor maria-sem-vergonha, selecionou seus pontos fortes e também os pontos fracos, que foram valorados positivamente através de sinônimos. “O vapor sai dessa água e vai irradiando os elogios, fazendo um contágio invisível, uma contaminação pela palavra no ar”, ressalta. Também inédita e produzida este ano, a obra “Suspiros alfabéticos” traz 26 folhas de papel A2, em um painel de 10 metros de comprimento, cada uma com um desenho feito com uma letra do alfabeto. Duas dobras bem sutis nos papéis emolduram as letras e remetem à forma da virilha. “É uma alusão ao corpo feminino, mas o papel branco também lembra as estátuas de mármore. As letras trazem o som, o suspiro, uma sensação interna”, diz Suely Farhi. Além das obras inéditas, outras mais antigas foram atualizadas. “A temática principal do meu trabalho são esses pontos de tensão, de questionamento, de pensamento. Eu nem notava se estava fazendo algo que era feminino ou não”, afirma a artista. Sobre a atualização de algumas obras, ela diz: “Acho que esse milênio está ensinando a ver muito claramente algumas questões. Não quer dizer que eu não fosse feminista, mas a gente vai sabendo e vendo mais claramente certas coisas, inclusive até do meu próprio passado, coisas que vivi sem falar”, completa. Serviço: Exposição “As Palavras”, de Suely Farhi Abertura: 13 de outubro de 2026, às 17h Período de visitação: de 14 de outubro a 22 de novembro de 2026 Centro Cultural Justiça Federal Av. Rio Branco, 241 – Centro - Rio de Janeiro – RJ (21) 3261.2550 De terça a domingo, das 11h às 19h Entrada gratuita