29 de agosto de 2026

Centenário da atriz Berta Loran é celebrado na peça inédita "Berta - Minha vida por um palco"

Uma das grandes comediantes do país, a atriz Berta Loran (1926-2025) terá seu centenário de nascimento celebrado no lugar onde ela mais se sentia feliz: o teatro. Com texto de Miriam Halfim (sobrinha de Berta) e Marcelo Aquino e direção de Ary Coslov, o espetáculo inédito "Berta – Minha vida por um palco" estreia em 4 de setembro de 2026 no teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). No elenco, os atores Andrea Dantas, Alexandre Regis, Junior Vieira e Patrícia Pinho dão vida a uma narrativa que transita entre a comédia e a crítica contundente sobre o esquecimento cultural no Brasil. 


A montagem homenageia a trajetória e o legado de uma das artistas mais queridas e marcantes do Brasil. Em cena, as etapas marcantes de sua vida são lembradas desde a infância difícil em Varsóvia, na Polônia, até a sua morte aos 99 anos em 2025, em Copacabana. Berta migrou para o Brasil aos 9 anos de idade, junto com os pais e cinco irmãos fugindo da perseguição nazista crescente na Europa. Ao chegar no Rio de Janeiro, a família se instalou num sobrado na Praça Tiradentes. Por incentivo do pai, que era alfaiate e ator, Berta ingressou no teatro ainda adolescente e nunca parou. 


Com quase oito décadas de carreira e mais de 2 mil personagens, Berta começou no teatro de revista, esteve em dezenas de peças teatrais e foi nos programas de humor na TV que ela ficou famosa em todo o Brasil. Sua ida a Portugal para participar da peça “Fogo no Pandeiro” acabou lhe rendendo um enorme sucesso no país, onde morou por seis anos, entre o fim dos anos 1950 e o início dos 1960. Essa experiência acabou criando uma das personagens mais marcantes de sua carreira na TV. Nos anos 1990, na Escolinha do Professor Raimundo, ela criou a imigrante portuguesa Manuela D'Além Mar, cujo sotaque carregado e o bordão "Manuela D'Além Mar, de Trás-os-Montes, sim senhoire!" se tornaram sua marca registrada.


Com um humor ácido, a montagem utiliza a figura da icônica comediante para dialogar sobre a falta de preservação da memória artística e histórica do país. Como dramaturga, Miriam Halfim tem se destacado com obras que jogam luz sobre personalidades e episódios históricos. Filha de um dos irmãos de Berta, a autora teve muito contato com a tia ao longo de sua vida. "O palco deu a ela tudo o que ela quis. Apesar de uma infância muito difícil, miserável, em Varsóvia, Berta escolheu viver com alegria. Ela dizia que felicidade é uma escolha", lembra Miriam.


“É muito importante que as pessoas conheçam a história da vida dela e se lembrem de Berta Loran. Ela era extremamente talentosa”, diz o diretor Ary Coslov, que decidiu ter duas atrizes – Andrea Dantas e Patrícia Pinho – dividindo o papel de Berta Loran (além de fazerem outros papéis) em diferentes etapas da trajetória dela.


Para construir a narrativa da peça, além das muitas lembranças pessoais, Miriam contou com a extensa pesquisa do ator, diretor e autor Marcelo Aquino, coautor do texto. “Nós somos um país com um problema sério de preservação da memória. Tem uma questão cultural com a memória, a gente apaga com muita rapidez muitos artistas”, diz Marcelo. “Por isso, acho que a Miriam presta um serviço não só para arte, mas também para a memória. A Berta é uma artista que abriu caminho para muitos humoristas que estão aqui hoje, principalmente para as mulheres”, afirma Marcelo.


 A equipe de criação reúne um time de grandes nomes dos bastidores do teatro brasileiro. A iluminação é de Aurélio de Simoni. Os figurinos foram criados por Mauro Leite. A trilha sonora do espetáculo é assinada por Ary Coslov e Marcelo Aquino. A direção de produção fica a cargo do experiente Celso Lemos.


 


SERVIÇO


Espetáculo: “Berta – Minha vida por um palco”

Temporada: de 4 a 27 de setembro de 2026

Dias e horários:

Sextas: às 20h | Sábados e domingos (sessões duplas): às 16h30 e às 19h

Local: CCJF - Centro Cultural Justiça Federal

Endereço: Av. Rio Branco, 241 - Centro, Rio de Janeiro

Ingressos pela Sympla

Valores: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)

Classificação Indicativa: 14 anos

Duração: 80 min.

13 de outubro de 2026
Três dos nomes mais emblemáticos da história da música brasileira, Milton Nascimento, Djavan e Luiz Melodia, terão suas obras reverenciadas no novo show do guitarrista, compositor e cantor Fábio Rizental, “Três Rosas Negras”, que estreia no palco do Acaso Cultural, em Botafogo, no dia 16 de outubro, sexta-feira, às 20h. Reconhecido por sua guitarra de linguagem contemporânea e virtuosismo aliado à musicalidade, Rizental propõe uma leitura original desse repertório, em linguagem de jazz rock fusion brasileiro, alternando momentos instrumentais e cantados, acompanhado por Alexandre Berreldi no contrabaixo e Léo Bandeira na bateria. Os seus arranjos preservam a essência das composições enquanto dialogam com o jazz, o rock, a improvisação e a música brasileira contemporânea, aproximando esse legado das novas gerações e reafirmando a importância desses autores para a cultura brasileira e para a música mundial.  Serviço: Quando: 16 de outubro, sexta-feira, às 20h Onde: Acaso Cultural – Rua Vicente de Sousa, 16, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: entre R$ 55 e R$ 200, no local ou antecipados pelo site Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/127017/d/414426
13 de outubro de 2026
Aos 10 anos, Oyárónké Gino Ivanir dos Santos já tem uma história para contar, e um livro para compartilhar com o mundo. Autora e ilustradora de As Aventuras da Boneca Oyá, a menina transforma as aventuras de sua boneca em literatura e mostra como a imaginação infantil pode abrir caminhos para a valorização da identidade negra, da cultura afro-brasileira e da educação antirracista. O lançamento da obra ocorreu às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, e destacou a importância de incentivar crianças a ler, escrever e reconhecer suas próprias histórias como parte da diversidade cultural brasileira. Filha da professora doutora Mariana Gino e do professor doutor babalawô Ivanir dos Santos, ambos ativistas do movimento negro brasileiro e referências na promoção da educação antirracista e no combate à intolerância religiosa, Oyárónké encontrou na escrita criativa, por meio da Casa dos Sambistinhas, projeto produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas, uma nova maneira de brincar e expressar sua criatividade. Carinhosamente chamada de Oyá, a boneca que dá nome ao livro é companheira de brincadeiras, viagens e descobertas. A partir dessa relação afetiva, Oyárónké criou uma narrativa divertida e sensível, que reúne situações do cotidiano, experiências em família e referências culturais. Narrada em primeira pessoa, a obra acompanha as viagens, as brincadeiras e as peripécias de Oyázinha. Em uma das passagens, quando perde os dois bracinhos, a boneca precisa ser levada ao “SUS da Nininha” para ser costurada novamente. Em outras aventuras, passeia pelo Rio de Janeiro, por Aparecida do Norte e por São Gonçalo, vai ao cinema e participa até de uma aula de boxe. A narrativa também apresenta momentos da rotina da menina, como as orações antes de dormir, a leitura de livros e gibis e a convivência familiar. Entre os personagens que fazem parte desse universo estão o coelho Sansão, melhor amigo da boneca, e outras bonecas negras que integram a coleção de Oyárónké. Por trás do humor e das aventuras, o livro aborda temas como identidade, pertencimento, religiosidade e representatividade negra. A obra apresenta o significado do nome Oyárónké e sua relação com a cultura iorubá e com a orixá Oyá, valorizando as culturas africana e afro-brasileira de maneira acessível ao público infantil. A diversidade aparece, assim, não como um conteúdo distante da realidade das crianças, mas como parte das brincadeiras, dos afetos e das experiências cotidianas. A publicação reforça que a educação antirracista pode começar na infância, por meio de referências positivas, do acesso à literatura e do reconhecimento das próprias raízes. A publicação integra uma iniciativa da Casa dos Sambistinhas que reuniu 18 crianças: nove em setembro e nove em outubro. Cada participante recebeu 50 exemplares, em uma experiência voltada não apenas à formação de leitores, mas também ao incentivo à produção literária desde cedo. A proposta foi reconhecida pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Flávio Gomes, que destacou a importância da iniciativa para estimular a leitura e a escrita entre crianças e ampliar o alcance de uma agenda antirracista e plural. "Extraordinária iniciativa e fomenta leitores e mais ainda escritores na mais tenra idade. Mostra que é possível sim ampliar para todas as gerações uma agenda antiracista e plural de identidades e gênero. O livro de Oyáronké mostra um potencial de sensibilidades autorais fantásticas". O lançamento também contou com a presença de Helena Theodoro, referência intelectual na luta por espaço para mulheres negras na academia brasileira. Sua trajetória representa uma geração que abriu caminhos para ampliar a participação de mulheres negras nos espaços de produção de conhecimento. A iniciativa recebeu ainda uma mensagem de André Leonardo Chevitarese, professor titular da UFRJ e autor de 27 livros, que celebrou a estreia literária de Oyárónké - “Continue nessa linda trajetória, sendo exemplo para tantas outras crianças, despertando nelas o amor pelos livros.” Oyárónké mostra que uma história pode nascer de experiências simples e afetivas: uma boneca querida, uma viagem em família, uma costura improvisada ou uma brincadeira que ganha novos significados quando transformada em palavras. Ao ocupar o lugar de autora e ilustradora, a menina também amplia as possibilidades de representação na literatura infantil. Sua experiência evidencia a importância de permitir que crianças negras se reconheçam não apenas como personagens das histórias que leem, mas também como criadoras de narrativas próprias. Em As Aventuras da Boneca Oyá, a infância é apresentada como um espaço de imaginação, pertencimento e construção de identidade. A obra reforça uma mensagem central: formar leitores é fundamental, mas incentivar crianças a escrever suas próprias histórias também significa ampliar suas possibilidades de expressão e participação cultural.